
COUTO (Ribeiro).— [CARTA AUTÓGRAFA]. Datada de "Rio, 20-7-1933". Dim. 29 x 20 cm.
Extensa carta manuscrita sobre uma das faces de 11 folhas de papel timbrado do «Jornal do Estado», de São Paulo.
Foi dirigida pelo notável poeta brasileiro a João Gaspar Simões e trata minuciosamente da edição de um dos seus livros a efectuar pelas Edições «Presença», referindo muitos dos seus aspectos: qualidade do papel, tiragem, ilustrações, custos, revisão de provas, exemplares destinados a ofertas, etc.; felicita Gaspar Simões pela sua nomeação para a Sorbonne e fornece nomes e endereços de pessoas que em Paris o podem ajudar, com referências pessoais acerca de cada um deles; diz-se surpreendido por ainda não ter recebido o «Eloi» de Gaspar Simões; projecta a sua vinda a Portugal, "a negócios", designadamente ao Porto, onde "essa coisa se decidirá"; refere a ida a Coimbra de Georges Raeders, que "é como um irmão meu"; "Bom Simões, são duas da manhã e vou terminar esta longa xaropada. Tem visto - ou já viu - o Antº Sergio? Ele voltou a Portugal? Estou sem noticias delle (e do racionalismo...) há muito tempo. Optima e elegante creatura, um verdadeiro homem, [sublinhado] rico de caracter e intelligencia. Não me parece orientado num sentido realista, em materia politica. Que inuteis discussões sobre a democracia, em plena Calçada do Champs Elysées! Elle, democrata; eu, por instincto, adepto da [?] da intelligencia - ainda que, pessoalmente, não passe de um homem do povo. O fascio representa, para mim, a necessidade presente do Brasil. Estamos numa confusão tremenda. Tudo oscilla, por aqui, nesta maravilhosa terra".
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