Sem imagem

RIBEIRO (Aquilino).— TERRAS DO DEMO. Romance. Edição Definitiva. Livrarias Aillaud e Bertrand. Lisboa. [Imprensa Portugal-Brasil]. In-8.º de 347-[I] págs. B.

Um dos muito apreciados romances de Aquilino Ribeiro, cuja acção se desenvolve nas serras beirãs da Lapa e da Nave, região de onde era natural e que conhecia profundamente.
“ [...] Experimentar tais andanças, num escritor, é como ter nascido com uma estrela na testa, visto que na liça se forjam os livros, visto que se aprende mais sobre os nossos quando os vemos depois de conhecer os alheios. Assim foi com Aquilino. Todo o seu itinerário de homem e de criador é um progressivo retorno às nascentes, uma pesquisa árdua da autenticidade, do filão puro, enriquecimento sucessivo e regalado de uma linguagem veraz; um reencontro, em suma, com o povo, espinha dorsal de qualquer nação. E, para além disso, tudo o que foi e viveu Aquilino está na sua obra: seja garbo ou indocilidade, aventura ou coragem, narinas frementes de remar contra ventos adversos, seja a galra de patrão a governar, sem mandos de ninguém, a sua barca, sempre esse caudal de braveza, tão rico de contrastes, rompeu das entranhas de uma existência cumprida em plenitude. Caiu a sua prosa viril na literatura pátria como fraguedo a despenhar-se num lago de cortesias. Às letras desvitalizadas, sem carácter, e sobretudo medrosas da realidade, faltava esse fluxo silvestre que tecesse heróis de pés assentes naterra, verdadeiros e cheirando ao húmus que os concebera; faltava uma voz portuguesa. Essa voz foi a sua, rude, luminosa e plástica e, embora necessàriamente com novos timbres, não se lhe perdeu a pista na literatura que veio depois, também concertada a olhar as coisas de frente e a chamá-las pelo seu nome. [...]”. [’in’ Aquilino Ribeiro’ apresentação e coordenação de Fernando Namora].

P.f. envie-nos a sua mensagem.
Enviaremos a nossa resposta o mais breve possível.