
CAMPOS (Correia de) [1890-1977].— JUSTIÇA AOS MORTOS. Foi na vigência de Sinel de Cordes que se alcançou o 1.º «superavit» da situação e se beneficiou o 1.º Orçamento de Salazar com cerca de 100 mil contos. Como sairmos do marasmo económico em que Portugal caiu pela errada política de se ter dado a primazia ao financeiro e não ao económico. Lisboa. 1971. In-4.º de 136-IV págs. B.
“Proponho-me nesta obra desfazer a calúnia posta a correr, com fins inconfessáveis, de que tinha sido ruinosa a administração da alta e prestigiosa figura do grande patriota que foi o general Sinel de Cordes e que torvos desígnios políticos se obstinaram a denegrir, para assim se lhe roubar a glória de ter sido o restaurador das finanças nacionais, em seguida ao ‘Movimento Libertador do 28 de Maio.
“Mas, não me limitarei a desmentir a calúnia para repor as coisas na sua verdade histórica, porque o dever patriótico me leva a aproveitar o ensejo para mostrar, em meu entender, como se poderá dar solução aos graves problemas em aberto na vida do país. [...].
“Com a entrada no Poder do professor Oliveira Salazar, um novo critério administrativo sucedeu ao do general Sinel de Cordes, que depois de ter moralizado a administração pública e equilibrado o orçamento, como também se provará, entendia que, para se não fazer baixar o nível de vida dos mais baixos estratos sociais, se deveria semear primeiro para colher depois.
“Perante o ciclo governativo que se iria iniciar, eu não podia e até por uma questão de princípios, apoiar ou colaborar no que antevia inconveniente para o País. Parti então para ir servir na parcela mais afastada do conjunto nacional [...[.
“Fortemente desiludido, regressei à Metrópole, com a convicção formada de que, salvo honrosas excepções, as províncias ultramarinas eram geralmente demandadas por pessoas de mentalidade retrógrada e sem qualquer preparação, que iam apenas com um único objectivo, o de equilibrar as finanças próprias.
“Mas não foi de todo inútil a minha curta estadia em Timor. E duas obras o vieram provar, especialmente uma, de carácter técnico, que veio dar a devida solução a um problema considerado até à data insolúvel — ‘A Resolução do Problema Monetário de Timor’, publicação essa que não foi posta à venda, tais os desacertos incríveis que se nos depararam nessa até então abandonada parcela do conjunto nacional. [...]”
De págs. 97 até ao final, com uma secção de «Documentos».
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