
ESPERANÇA (Assis).— FRONTEIRAS. Editorial Inova sarl. [Empresa Gráfica Feirense, Lda. Feira. 1973]. In-8º gr. de 368-III págs. B.
“Nos primórdios da década de 60, quando a emigração dita clandestina fazia o arranque para o que depois seria autêntica hemorragia social, tornara-se vulgar aos olhos do observador menos atento o aspecto insólito das nossas aldeias nas zonas em primeiro lugar afectadas, tendo por únicos habitantes crianças, mulheres e um que outro homem, velhos, em geral, que, não podendo jáaventurar-se ao «salto», por cá ficaram à espera... Depois, as mulheres afoitaram-se, até se nos deparar a situação registada pelo próprio Assis Esperança no prefácio deste livro: «Em 1969 oitenta mil portugueses emigraram clandestinamente. O número de mulheres entre os vinte e os vinte e quatro anos de idade ultrapassara o dos homens em mais de um milhar...».
“Particularmente desprotegida do ponto de vista social, a mulher apresenta características bem vincadas e bem visíveis do desamparo a que, sem sombra de dúvida, se entregam ao partir — ainda que cheios de uma energia tocando as raias do heroísmo — os emigrantes. E é assim que para Assis Esperança, o protagonista do romance, feminino, toma a estatura de um símbolo: não apenas o da mulher-emigrante, suficiente por si para uma epopeia, mas, com outra dimensão, o símbolo de um povo em estado de abalada. [...]”.
Conserva a cinta editorial que frequentemente está em falta em muitos exemplares.
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