CONTRAVENTO. Letras e Artes. Lisboa. 1968-1971. 4 números In-4.º B.
Revista dirigida por Fernando Pinto Ribeiro, de genuína concepção gráfica, devida a Artur Bual.
Daniel Pires no «Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX», desenvolve extensa e muito cuidadosa apreciação a esta revista de onde transcrevemos parcialmente o seguinte: “A revista reproduziu nas capas, a cores, pinturas de Artur Bual, João Vieira, Fausto Boavida e Gil Teixeira Lopes.
“De grafismo depurado e inovador […], introduziu um novo formato nas publicações editadas em Portugal, contou com ilustrações que constituíram um contraponto à excelente colaboração literária inserida. […]
“Focou nas suas páginas os vários domínios da estética: teatro (Luiz Francisco Rebello, Fernando Midrões, Jorge Listopad), cinema (Lauro António), Luís Andrade de Pina, Edgar Gonsalves Preto), dança e bailado (Tomás Ribas), música (Álvaro Cassuto, Francine Benoit, Jorge Peixinho), artes plásticas (Eduíno de Jesus, António Valdemar, Eurico Gonçalves, Fernando de Pamplona), literatura. Este amplo escopo foi ainda complementado pela crítica ao que se fazia e publicava e com a avaliação anual da actividade cultural portuguesa.
“Cada número tinha como pedra-de-toque a publicação de um poema autógrafo; «Depressão», «Sal e Pimenta», «Uma das Imagens» e «Convalescença», da autoria de, respectivamente, Vitorino Nemésio, António de Sousa, Tomás de Figueiredo e de Cabral do Nascimento […].”
Daniel Pires segue com uma pormenorizada relação da colaboração prestada que, dada a sua extensão nos limitaremos a recordar apenas alguns dos os nomes mencionados: Poesia: Ana Hatherly, A. M. Couto Viana, António Proto-Além, A. Ramos Rosa, A. Ventura Ferreira, Fernando Pinto Ribeiro, Herberto Helder, Jaime Salazar Sampaio, João Rui de Sousa, Jorge de Sampaio, J. Palla e Carmo, José Saramago, Luís Amaro, M. Alberta Menéres, M. S. Lourenço, Natércia Freire, Salette Tavares, Vasco Miranda, Yvette Centeno, etc.
“A revista concitou ainda a sua atenção na problemática teatral, através da crítica do que se representava e publicava, da teorização e ainda da publicação de peças. Neste contexto. procedeu à recuperação de uma peça de matriz africana de Alfredo Cortez, que se encontrava inédita, intitulada «Moema», ilustrada por Júlio Gil e por um retrato daquele dramaturgo da autoria de Almada Negreiros. Hélder Presta Monteiro, Yvette Centeno e Jaime Salazar Sampaio (ilustrado por João Abel Manta) viram também obras suas serem dadas à estampa.
“Luísa Dacosta evocou uma peregrinação a Portalegre, na companhia de Irene (Lisboa, tudo leva a crer), para compartilhar afinidades electivas com José Régio, do qual é publicado um auto-retrato inédito. No âmbito da entrevista, convocou para as suas páginas Ferreira de Castro, Carlos Botelho e António Vitorino de Almeida.
“A crítica literária foi da responsabilidade de António Quadros, Armando Ventura Ferreira, Duarte Ivo Cruz, Fernando Midões, João Bigode Chorão, João Palma-Ferreira, José Enes, José Flórido, Nuno de Miranda, Pinharanda Gomes, Taborda de Vasconcelos e de Tomás Ribas.
“Eis outros textos de manifesto interesse: António Quadros, «Cartas do Mediterrâneo. Homens do Norte, Homens do Sul»; Armando Ventura Ferreira, «Sequência para Fernando Pessoa»; Artur Portela Filho, «Xanão»; Barahona Fernandes, «Formar Homens»; David Mourão-Ferreira, «Sobre a Poesia de Vitorino Nemésio»; «Apontamentos de um Caderno de Bolso»; Eduardo Prado Coelho, «Estruturalismos: Assalto e Ressaca»; Eduíno de Jesus, «Arte Abstracta e Humanismo»; «Paradoxo sobre Arte e Sociedade» (rigoroso ensaio em torno da dicotomia arte pura ‘versus’ arte comprometida); Jacinto do Prado Coelho, «Uma Obra Viva; ‘Húmus’ de Raul Brandão»; João Bigode Chorão. «Primeira e Última Imagem de Tomás de Figueiredo»; João Palma-Ferreira, «Vergílio Ferreira, «Vinte e Cinco Anos de Vida Literária»; Jorge de Sena, Tradução de «Três Carmina Burana»; Jorge Peixinho, «Música e Teatro»; José de Almeida Pavão, «Antero e a Morte»; Luiz Francisco Rebello, «Pirandello e o Teatro Moderno»; Melo e Castro, «Ver Ter Ser — Poemas Concretos e Objectos do Mesmo Autor»; Miller Guerra, «Considerações sobre a Reforma do Ensino Superior»; Natália Correia, «Almada: Arqueólogo do Futuro», com um auto-retrato do escritor. […]
A muito extensa colaboração literária e plástica dada a esta importante revista e os naturais limites a que estamos sujeitos, leva-nos a sugerir a consulta do já mencionado ‘Dicionário’ de Daniel Pires.
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