ABILIO

RODRIGUES (Severino)

1959
Ref: 39914|150.00
Retroceder
ABILIO

RODRIGUES (Severino).— O ABILIO. Apresentado por [...] Porto. 1959. [Edição e Propriedade do Autor. Orientação Gráfica de Abílio. Composto e impresso na Empresa Industrial Gráfica do Porto]. [dim. aprox. 15 x 15 cm.] com 40 págs. inums. B.

“ABÌLIO (dos Santos) expôs pela primeira vez os seus trabalhos na Galeria Divulgação (Porto, 20 a 30 de Junho de 1959) e tal evento não constituiu um acontecimento mundano como poderia supor-se nem efeméride assinalada nos apontamentos dos criticos, tantas vezes ignorantes do que deviam oficiosamente conhecer quando, como é o caso e por propositado acinte, um convite de louvaminha não lhes é estendido com adequada genuflexão.
“Abilio não é um pintor profissional e oxalá nunca o venha a ser, pois toda a sua originalidade de artista reside precisamente no saudavel amadorismo que impede o cristalizar e por isso è garantia de sinceridade não raras ocasiões ausente de obras destinadas ao comércio ganha-pão [...]”.
Do Arquivo Digital da PO.EX [https://po-ex.net/tag/abilio/] transcrevemos: Natural da Maia, Abílio-José Santos [1926-1992] foi poeta e desenhador e projectista. Frequentou o curso de Máquinas e Electrotecnia do Instituto Industrial do Porto.
A obra de Abílio-José Santos é marcada por uma procura incessante de novos meios e renovados materiais e aprendizagens na senda de uma permanente politização da estética, com a insurreição contra todos os poderes instituídos a ocupar um lugar central. A profusão de manifestos que escreveu são disso mesmo uma das faces mais visíveis, sendo que essas missivas – sob a forma de versos, texto corrido, colagens ou outras manipulações gráficas – têm como alvo personalidades com poder institucional, como reputados críticos ligados ao mercado da arte; ou podem dirigir-se a figuras cujo relevo assenta no capital simbólico, como disso são exemplo alguns autores consagrados da literatura portuguesa e brasileira. Mas mais do que dirigir-se a estes indivíduos e instituições em concreto, o exercício de uma justiça poética radicalmente crítica que está presente nas obras de Abílio impõe-se como implosão corrosiva dos discursos instituídos sobre arte, política e sociedade. A sua obra poética é marcada por uma experimentação intersígnica que recorre a um variado conjunto de técnicas e meios materiais, incluindo a colagem, a foto-montagem, o desenho e a fotocópia. A apropriação que faz de fontes materiais previamente existentes – como recortes de imprensa, ou, com especial relevo, materiais pobres que poderiam ser considerados meros detritos – enquadra-se perfeitamente na linha de subversão contínua dos discursos que encontramos na poética de Abílio. O próprio autor reflete sobre esta proposta de intervenção pela “reciclagem”, pela repescagem e reaproveitamento dos despojos da sociedade, quando, num dos seus manifestos, sumaria o seu posicionamento no lema “a arte como lixo / o lixo como arte”. A utilização de diferentes materiais nos seus trabalhos atribui à materialidade da escrita novas expressividades. O seu trabalho na área da poesia visual e da mail art é tão pioneiro quanto radical. Estando representado nas principais Antologias, a sua poesia está pouco publicada. Autor de manifestos e textos panfletários.
Edição ilustrada a negro com 11 reproduções de Obras do artista plástico, impressas em plena página.

Com uma pequena assinatura de posse na folha II, datada de 1964.

P.f. envie-nos a sua mensagem.
Enviaremos a nossa resposta o mais breve possível.