SEM PASSAR A FRONTEIRA

PIMENTEL (Alberto).— SEM PASSAR A FRONTEIRA. 1902. Livraria Central de Gomes de Carvalho, Editor. Lisboa. In-8.º de 344 págs. E.

“N’um livro publicado em 1879 [Viagens á roda do codigo administrativo] escrevi estas palavras:
“Eu gosto principalmente de viajar no meu paiz, quizera, se isso fosse possivel, visitar todas as aldeias, por mais remotas e sertanejas que fossem; gosto de conhecer as tradições locaes, de conversar com os camponezes ao serão; de procurar os pontos de vista; não me esquivo ao incommodo de subir ao topo d’um monte, de atravessar uma serra cavalgando n’um burrinho; — mas quero que me cubra o ceu portuguez, o ceu sob o qual eu nasci e amei e espero morrer; quero ouvir fallar a minha doce lingua, vêr os monumentos da minha patria, sentar-me melancolico, no fim da tarde, á beira de um caminho ou de um rio, podendo comtudo dizer á minha alma que não está só, que estou na minha terra, em Portugal...»
“São passados vinte e trez annos desde que escrevi estas palavras, e parece-me que ainda agora acabei de as escrever, tanto ellas exprimem o meu gosto de viajar dentro do paiz e a nenhuma pressa de visitar nações extranhas, aonde nunca fui, e provavelmente já não irei.
“É moda do nosso tempo correr mundo, agradavelmente, em comboios rapidos ou paquetes velozes. Até se pretende resolver o problema de viajar em balão. [...]”.
Capítulos: Ribatejo [Rio acima, Alcochete]; Cascais [No princípio de uma época balnear, Os maridos, A calçada d’Assumpção, Os excursionistas, O soneto de Cascais]; A Cigarra; O Termo de Lisboa; Mafra [Na placidez do arvoredo, D. João V e a velha do Casal, Um Papa em Mafra, A Tapada Real]; Cartas da Ericeira; Aveiro; Espinho [A vida da praia, A dama da roleta, A romaria da Senhora da Ajuda, Historia de um fidalgo de Braga e do seu lacaio, Morte da señorita Olgado, A anedota do martelo, Despedida]; Matosinhos e Leça [O porto de Leixões, Ainda o porto de Leixões, Os inglezes e o Porto, O Senhor de Matosinhos, As mulheres de Matosinhos]; Cartas do Minho [Os cafés da Póvoa, Uma lenda religiosa, A população minhota, Da Póvoa a Barcelos, Á beira do Cávado, Vinte anos depois, Em Braga, Outra vez em Braga]; Fataunços [S. Pedro do Sul], Guarda.

Encadernação de recente manufactura, com a lombada em material sintético imititaivo de pele; com as capas da brochura e a respectiva lombada preservadas, conserva as margens intactas.

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