NOSSA SENHORA DA MORTE

AMEAL (Joao)

1922
Ref: 40978|75.00
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NOSSA SENHORA DA MORTE

AMEAL (João).— NOSSA SENHORA DA MORTE. (Novela). [...]. Lisbôa. MCMXXII. [Tipografia e Papelaria America]. In-8.º de [II]-163-V-XXIV-[II] págs. B.

“«Os olhos cinzentos» — a minha primeira novela — era uma impressão apenas de vida moderna, cheia de luxos scenograficos e de cicatrizes moraes. «Nossa SEnhora da Morte» — a segunda — é antes uma tela d’emoção e espiritualidade, á margem da Vida, ligada á Vida por alguns contactos inevitaveis.
“A critica censurou-me nos «Olhos cinzentos», a preocupação decorativa e pictural, achando que exagerei as descrições e as imagens, submergindo, no seu aparato sumptuoso, as rajadas dramáticas da intríga. Eu já tinha dito á critica que estava no meu direito de querer fazer apenas um livro d’arte, um livro onde a fórma se tornasse a mais intensa das minhas aspirações. Para isso, escrevi um prefacio que a critica leu — mas que a maior parte da critica, embora elogiando-o, não respeitou. [...].
“Mas estas frases que escrevo, à entrada de «Nossa Senhora da Morte», não são apenas de comentario ao passado. Elas querem dar um pouco a minha intenção nesta novela. E essa intenção é a seguinte: estilisando, esboçando pelo ritmo das palavras, embelezando pelo sortilegio das imagens — que são as tunicas do espirito para as arestas da verdade — conseguir desdobrar um conflito, ao mesmo tempo interior e sensual, entre duas creaturas que se desejam, se aproximam, e acabam por afastar-se, num heroismo...
“Entre essas duas creaturas ha apenas uma barreira, uma barreira quasi fluída, quasi imaterial — uma agonisante. Essa agonizante é uma figura rara, toda de sacrifício e de pureza, vulto de santa exilada no purgatório dos destinos... O personagem maximo é uma mulher, a sua amiga intima, que o acaso tornou a sua mais inconsciente adversaria... Ha um homem entre elas, um homem que, esquecendo-se daquela a quem ligou o seu nome e a sua vida, se interessa pela outra, a cerca d’implorações, de ciladas voluptuosas, de anciedades febris, de idolatrias desorientadas. Ela vae ceder. Os dois juntos vão selar, na orgia alucinada da posse, o seu grande crime de traição moral. E então surge inesperadamente a tragedia — a tragedia que chega pelo braço da morte... A dôce crucificada, a madona esquecida — fecha os olhos para sempre, para uma eternidade limpida de beatitude.... E — então, os dois conspiradores da carne, os dois estonteados dos sentidos, sentem-se diminuidos, derrotados, pela elegia gloriosa d’aquela morte. [...]”.

Bonita capa da brochura alegórica, ilustrada a cores por Leitão de Barros. Com um restauro na lombada da capa da brochura.

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