
BERNARDES (Manuel).- LUZ, E CALOR. // OBRA ESPIRITUAL // Para os que trataõ do exercicio de virtudes, & caminho // de perfeição, // DIVIDIDA EM DUAS PARTES. // Na Primeira se procura communicar ao entendimento LUZ de // muitas verdades importantes, por meyo de Doutrinas, Sen- // tenças, Industrias, & Dictames espirituaes. // Na Segunda se procura communicar á vontade CALOR do Amor // de Deos, por meyo de Exhortações, Exemplos, Meditações, // Colloquios, & Jaculatorias. // ‘ESCRITA’ // Pelo P. MANOEL BERNARDEZ, // ... // [ornamento tipográfico] // LISBOA, // Na Officina de MIGUEL DESLANDES, // ... // Anno M.DC.XCVI. In-4.º de XX-584-II-XIV págs. E.
Na ‘Bibliografia das obras impressas em Portugal no século XVII’ [1.º vol. a págs. 260/261] foram registadas três edições ou variantes, todas supostamente impressas em 1696 na Oficina de Miguel Deslandes, correspondendo o nosso exemplar ao descrito sob o n.º 106.
Maria Teresa Payan Martins, na obra «Livros clandestinos e contrafacções em Portugal no século XVIII» esclarece com pormenor e erudição a razão destas variantes: “Compulsámos exemplares desta obra, com as mesmas indicações tipográficas, que diferem, significativamente, da espécie acima descrita [edição ‘princeps’]. A análise comparativa das duas edições torna patente as diferenças que as distinguem quanto a caracteres tipográficos e material iconográfico utilizados, pelo que cremos poder concluir que ‘Luz e Calor’ foi objecto de contrafacção. (...)
“Não é possível fixar com exactidão a data em que foi impresso fraudulentamente este livro do Padre Manuel Bernardes, mas a listagem das diferentes edições conhecidas desta obra, de que não consta a Terceira edição, permite-nos aventar a hipótese de a sua estampagem ter ocorrido entre 1724 e 1758, isto é, dentro do mesmo período cronológico em que foram reproduzidas as edições-falsas de ‘Nova Floresta’. (...)”.
O exemplar que aqui descrito apresenta um retrato do autor na folha de anterrosto, assinado ‘Hieronymus Rossi Sculp’ que não vimos descrito na bibliografia consultada. [por ex.: Barbosa Machado, Innocêncio, Samodães, Pinto de Matos ou Bibliografia Geral de Manoel dos Santos]. Segundo Ernesto Soares no ‘Dicionário de Iconografia Portuguesa’, este retrato aparece “ilustrando diversas obras do retratado”.
Encadernação contemporânea em inteira de pele, um pouco cansada.
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