CORREIA (Vergílio).— ARTISTAS DE LAMEGO. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1923. In-8.º gr. de XXXV-[I]-119-[I] págs. B.
Volume ilustrado com numerosas estampas impressas em separado, incluído na colecção «Subsídios para a História da Arte Portuguesa».
“ [...] muitíssimo difícil será o encontrar uma região que houvesse conseguido criar uma arte especial, característica, Tôdas, mais ou menos sofreram a influência, foram naturalmente orientadas pela arte dos grandes centros, donde os modelos - já os inventados, já os trazidos do estrangeiro — se disseminaram. Pelas condições do meio onde caíam, pela diversidade dos materiais, êsses modelos sofreram algumas transformações, umas vezes felizes, outras que o não foram, transformações que juntas a um certo número de princípios, motivos e processos conservados tradicionalmente, geraram as chamadas artes regionais. Estas não passam, portanto, de um embelezamento, deturpação ou engrandecimento do modêlo geral, devendo ser abrangidas ou conglobadas no ciclo ou ciclos de cada século, pelo valor intrínseco, ou a título de subsídio.”
“Situada a meia altura da escadaria de montes que ascendem para o extenso planalto que constitui a alta Beira, Lamego recebeu as maiores, mais profundas e mais duradouras influências da banda por onde o acesso lheera mais fácil, por intermédio da corrente do Douro. Do Pôrto e do Entre Douro e Minho, muito mais que da rude e cerrada província de Trás-os-Montes que lhe fica em frente, e que os cimos penhascos do Marão, à vista dos altos da cidade [...].
“Do Minho trabalhador e industrioso, sempre pletórico de mestres lavrantes de cantaria e madeira, exportando, no passado como hoje, pedreiros e carpinteiros para o resto do país, vieram especialmente muitos dos artistas que levantaram as igrejas e entalharam o castanho das tribunas e dos apainelados dos santuários edas casas solarengas. Mas a-par dêstes, na própria cidade ou nos arrabaldes, nunca deixaram de viver e prosperar as oficinas de entalhador, ensamblador, ourives e serralheiros dirigidas por mestres naturais da cidade e compostas por lamacenses, aos quais se deve a maior das obras executadas.
“Todos êsses, os que de fora vieram trabalhar para Lamego e os que, naturais da terra, enriqueceram com as suas produções o caudal artístico da povoação, têm lugar neste livro, onde reuni os nomes de artistasque consegui recolher [...], nos arquivos do Cabido, Misericórdia, notariais e paroquiais da cidade e seu têrmo.”
Capa da brochura com manchas de acidez.
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