
BENEDY (José).— O VINHO E O SEU VALÔR FISIOLÓGICO. Conferência pública realisada em Lisboa, na Universidade Livre a 9 de Fevereiro de 1930 em defeza da indústria vinícola, do comércio e, geralmente, das indústrias. 1930. Edição das Oficinas Fernandes. Lisboa. In-4.º de 61-III págs. B.
Explicação preliminar: “[...] para encurtar razões confesso, a tempo, que o merecimento da conferência a que estas linhas se referem está inteiramente nos relatórios concludentes e sobremaneira autorisados que lhe deram origem e destroem — pulversisando-os — todos os argumentos possíveis e imagináveis, de boa ou má fé lançados contra o uso moderado do vinho e das bebidas estimulantes, mais ou menos alcoolisadas, ainda que isentas de aguardente sintética, acrescentando que só o excesso destas e daquêle é prejudicial ao organismo dos respectivos bebedores, digam o que disserem em contrário os abstémios da melhor intenão, entre os quais figuram os naturistas e frugíveros, inimigos declarados de soros e vacinas contra as doenças microbianas que nem por milagre ou poderosa sugestão podem ceder à decantada eficácia de legumes, hortaliças e frutas de carôço ou de pevide nem às virtudes terapêuticas da fava torrada, dos pinhões e das uvas frescas ou passadas.
“E conquanto seja certo que o ar é o elemento primário da vida orgânica, está perfeitamente averiguado que não supre os alimentos de qualquer natureza ou qualidade e que não há ninguêm que prefira um balão de oxigénio ao mais frugal repasto nem mesmo em substituição dum pequeno almoço.
“Nem só do ar vivem os camaleões; com água cantam as rãs e diziam os antigos que a carne d’hoje, o pão d’hontem e o vinho doutro verão fazem o homem são.
“Contra isto batatas. [...]”
José Benedy [1866-1951], cremos que de seu nome próprio, José Bernardo, foi aluno do Curso Industrial da Escola Rodrigues Sampaio. Tipógrafo de profissão, aprendeu a ‘arte’ nas oficinas de Lalemant. Chegada a idade do serviço militar alistou-se na Armada, partiu para Moçambique, acabando por se fixar em Quelimane. Homem dos sete ofícios dedicou-se ao estudo da dirigibilidade dos balões aerostáticos. Regressado a Lisboa e influenciado pela imprensa anarco-sindicalista, traçou o seu rumo acabando por se tornar dirigente do ‘Sindicato Único dos Operários das Fábricas de Conservas de Setúbal’ entre 1931 e 1932, ao lado de Luísa do Carmo Franco (Elias Adão), Manuel de Sousa.
Preso quando da apreensão da 5.ª edição de «A Batalha», acabou o seu presídio no Tarrafal onde passou cerca de 6 anos. Regressou a Setúbal, onde se reunia com Vivaldo Fagundes, Adriano Botelho e outros companheiros que vinham periodicamente a Setúbal.
Entre outras obras publicou: «Cirurgia»; «Pedras Toscas», «Sciência Redentora», «Morte Paixão e Ressurreição»; «Escrita Simplificada».
Foi director e proprietário da «Bibliotheca do Proletariado» e Relator do «3.º Congresso dos Trabalhadors Rurais».
Na Biblioteca Nacional estão conservados dois projectos manuscritos sobre a direcção de Aérostatos.
Com uma etiqueta colada na capa onde se lê: Trabalho premiado em 1936 pelo Office International du Vin.
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