PANORAMA. Revista Portuguesa de Arte e Turismo

PORTUGAL. Secretariado de Propaganda Nacional

1941
Ref: 37705|1 ,500.00
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PANORAMA. Revista Portuguesa de Arte e Turismo

PORTUGAL. Secretariado de Propaganda Nacional.— PANORAMA. Revista Portuguesa de Arte e Turismo. Edição do Secretariado de Propaganda Nacional. Lisboa. 1941-1973. [Quatro séries]. [Direcção de António Ferro, Luís Ribeiro Soares, Ramiro Valadão, etc.] 124 números em 97 fascículos. In-4.º gr. B.

No «Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1941-1974]» Daniel Pires refere um depoimento de Júlio Gil, director gráfico desta revista que parcialmente transcrevemos: “[...] Iniciava a publicação em 1941, editada pelo então denominado Secretariado da Propaganda Nacional (S.P.N.) que António Ferro dirigia com o seu extraordinário talento, inteligência e audácia de inovador e renovador.
“Os tempos não seriam dos mais propícios para a nova revista - a II Guerra Mundial alastrava-se impiedosamente -, mas por outro lado terminara pouco antes em Lisboa a Exposição Histórica do Mundo Português, espantosa manifestação da nossa capacidade de realização. E se a II Guerra não permitia, evidentemente, a afluência e tranquila apreciação de estrangeiros à Exposição de Belém, ela constituiu para a generalidade dos portugueses uma imensa descoberta de tesouros esquecidos.
“’Panorama’ surgia assim como necessário complemento a tal descoberta e registo atraente de valores que tinham justificado já em 1933 a fundação do S.P.N., ampliado em 1944 nas suas atribuições e corrigido na designação - passou a ser Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo, conhecido por S.N.I.
“António Ferro escolheu bem os responsáveis da revista - o poeta Carlos Queirós e o pintor Bernardo Marques - que souberam criar para ela um estilo e uma personalidade invulgares, apoiados pela excelente qualidade das colaborações. (...).
“Marcava esse estilo próprio de ‘Panorama’ o claro domínio da ilustração - fotográfica ou desenhada -, a dar imediato regalo aos olhos do leitor e a bem utilizar mais argumentos gráficos para “falar” de Arte e turismo do que considerações escritas, mesmo que esplêndidas; (...).
“Porém, pouco a pouco, ia cedendo espaço à literatura, na medida em que se ampliava o temário e os colaboradores entendiam ser mais digno da revista e dos assuntos tratados um maior volume de prosa.
“Desde o começo, publicavam-se nas últimas páginas os Boletins de Turismo, onde, além de recomendações a estalajadeiros e informações úteis ao viajeiro, se indicavam próximas iniciativas, eventos desportivos, festas e romarias e formas de chegar a elas.
“(...) Caracteristica ainda da Revista, desde a 1.ª série, foram os frequentes e normalmente volumosos números dedicados aos mais variados temas. Recordam-se, por exemplo, os dedicados a Lisboa, ao Porto, à Província (em geral), ao Norte, aos Estilos Manuelino e Barroco, à Caça, que provocou correrias para ser adquirido em qualquer das duas edições feitas e, logo a seguir, alcançando valores impensáveis nos alfarrabistas.
“Depois viriam os especiais do Ano Santo em Fátima, o da África Portuguesa, o da Madeira e Açores (...), de Portugal-Brasil, da Índia Portuguesa, da Comunidade Luso-Brasileira, um outro dedicado à Caça (...), ao IV Centenário da Fundação do Rio de Janeiro, a Pedro Álvares Cabral, a Vasco da Gama (...), ao Pe. Manuel da Nóbrega e a Fundação de São Paulo, a Espanha-Portugal, à Bélgica, ao IV Centenário de ‘Os Lusíadas’, (...).
“Impressiona folhear os números de ‘Panorama’ e dar conta do conteúdo da riqueza e da variedade da documentação oferecida, da categoria dos autores literários e artísticos convidados sem importar saber das convicções políticas ou quaisquer outras, por somente interessar o seu saber e o serviço que prestavam aos portugueses.
“Não é possível apresentar aqui uma relação dos temas tratados, mas talvez fosse útil publicar algum dia um índice total. E uma ideia aproximada do interesse geral de ‘Panorama’ pode dar-se no conhecimento de muitos dos seus colaboradores; não podem ser todos, por serem muitos, e de aí se pede e espera o vosso perdão. (...).”
Continua Júlio Gil este extenso e esclarecedor depoimento, procurando, ao longo de algumas páginas, fazer o registo de muitos dos colaboradores desta inestimável publicação.
Publicação luxuosamente impressa sobre papel de excelente qualidade, ilustrada com muitas centenas de estampas impressas a negro e a cores com fotogravuras de Almada Negreiros, Bernardo Marques, Cândido da Costa Pinto, Carlos Botelho, Dórdio Gomes, Emmérico Nunes, Francisco Smith, Jorge Barradas, Júlio Gl, Júlio Resende, Manuel Lapa, M. Ribeiro de Pavia, Maria Keil, Milly Possoz, Ofélia Marques, Olavo d’Eça Leal, Paulo Ferreira, Sarah Afonso, Sebastião Rodrigues, Tomás de Melo (Tom), etc. etc.; colaboração fotográfica de A. Castel-Branco, Adelino Lyon de Castro, Álvão, Augusto Cabrita, Benoliel (Pai), Bobone, Horácio Novais, Mário Novais, San Payo, etc. etc.; Colaboração literária de A. de Magalhães Basto, A. H. de Oliveira Marques, Aarão de Lacerda, Adriano Moreira, Agustina Bessa Luís, Alfredo Guimarães, Amândio César, Américo Cortez Pinto, A. Batalha Reis, António Correia de Oliveira, António de Cértima, António de Navarro, António Ferro, António Couto Viana, António Pinheiro Torres, António Quadros, Aquilino Ribeiro, A. Côrtes-Rodrigues, Armando de Matos, Armando Leça, Calvet de Magalhães, Cândido da Costa Pinto, Carlos Botelho, Castro Soromenho, David Mourão Ferreira, Eduardo Viana, Esther de Lemos, Fernanda Botelho, Fernanda de Castro, F. de C. Pires de Lima, Fernando Grade, Fernando Távora, Frederico de Freitas, Herberto Hélder, Jaime do Inso, João Bigotte Chorão, João de Araújo Correia, João de Castro Osório, João Villaret, Joly Braga Santos, Jorge Barradas, Jorge de Sampaio, Jorge Segurado, Judith Navarro, Leitão de Barros, Marcelo Caetano, Maria de Lurdes Modesto, Pedro Homem de Melo, Pina Martins, Raul Lino, Reinaldo dos Santos, Robert Smith, Ruy Cinatti, Tomás de Figueiredo, Tomé Vieira, Vitorino Nemésio e tantos outros colaboradores que não nos é possível aqui enumerar, dada a exiguidade de espaço a que estamos limitados.
Colecção completa, constituída por quatro séries, com respectivamente, 39, 14, 24 e 47 números.

Brochura. Para além dos 9 números publicados dos acima referidos «Boletins de Turismo», fazem parte desta colecção, dois mapas litográficos de grandes dimensões [38 x 55 cm], impressos a cores, sendo o primeiro assinado por ‘Roberto Araújo’, intitulado «Os principais Monumentos de Portugal», o segundo «Algumas romarias de Portugal», assinado ‘Tom 41’[Tomás de Melo]. A esta colecção acresce ainda um outro mapa [51,5 x 43 cm] intitulado «Sintra. Planta turística do concelho», assinado ‘José Espinho e Manoel Rodrigues. 1948’.
Colecção completa, constituída por quatro séries, respectivamente com 39, 14, 24 e 47 números.
Com pequenos defeitos em algumas das capas da brochura.

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