UM ANACORETA DA ARRÁBIDA [Pseud.]— HOMILIA AOS DOIS PRÉGADORES REGIOS, por Um Anachoreta da Arrabida. [Na capa da brochura: O PROCESSO DO RASGA OU O RELOGIO DO ABBADE]. Porto. Typ. da Empreza Litteraria e Typographica. [...]. 1893. In-8.º de 46-[II] págs. B.
Opúsculo bastante invulgar, dado ao prelo a propósito de uma ruidosa polémica em que foram principais contendores o Cónego Alves Mendes e o padre Francisco José Patrício, a propósito do roubo de um relógio ao abade de Campanhã, de que Alves Mendes foi acusado. Foram medianeiros para a solução desta pendência Francisco Júlio Cascais, Firmino Pereira, Jorge Gonçalves Lima e Albano de Sousa Saraiva. Com a trascrição de cartas dos protagonistas. "[...] O furto de um relogio é, sem duvida, o facto mais palpitante da actualidade, o objecto de todas as conversações, o thema de interminaveis commentarios. "Essa miseria podia ficar sepultada no eterno olvido, se a não propalassem aquelles que mais interessados eram em envolvel-a nas mais espessas caligens. [...] "O caso levantou uma celeuma atroadora que, voando nas azas da telegraphia e do vapor, retumbou de Melgaço ao cabo de Santa Maria. "O escandalo foi monumental, e a moralidade publica, tão cynicamente vilipendiada, clama aos céos, pedindo uma reparação condigna. "Acuda, snr. Cardeal, acuda! Vingue a moral offendida, applique o devido correctivo aos seus subordinados, que foram os protagonistas de tal infamia, chame-os ao caminho do dever."