EMBAIXADA QUE FEZ O EXCELENTISSIMO SENHOR CONDE DE VILAR MAIOR

COSTA (Antonio Rodrigues da)

1694
Ref: 39939|500.00
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EMBAIXADA QUE FEZ O EXCELENTISSIMO SENHOR CONDE DE VILAR MAIOR

COSTA (António Rodrigues da).— EMBAIXADA // QUE FES O // EXCELLENTISSIMO // SENHOR CONDE DE VILLAR-MAIOR (HOJE // Marques de Alegrete) dos Conselhos de Estado, & Guerra // DE // ELREI N. S. // GENTIL HOMEM DA SUA CAME- // ra, & Vedor da Fasenda, &c // ‘AO SERENISSIMO PRINCIPE PHI- // lippe Guilhelmo Conde Palatino do Rhim, Eleitor do’ // S. R. J. // CONDUÇAM DA RAINHA NOSSA SENHORA // a estes Reinos, festas, & applausos, com que foi celebrada sua felix // vinda, & as Augustas vodas de Suas // MAJESTADES // ESCRITA, E OFFERECIDA // AO // EXCELLENTISSIMO SENHOR // CONDE DE VILLAR MAIOR FERNAÕ TELLES // da Silva do Conselho de Sua Majestade, & Deputado da Junta // dos tres Estados do Reino. // [...] // Na Officina de MIGUEL MANESCAL, Impressor da Sere- // nissima Casa de Bragança, & do Sancto Officio. // Anno M.DC.XCIV. In-4.º gr. de XVI-319-[I] págs. E.

Importante e muito raro documento publicado em 1694, onde se relata a Embaixada de Fernão Telles da Silva [Conde de Vilar Maior e futuro Marquês de Alegrete], junto do Príncipe Filipe Guilherme, irmão da futura Rainha de Espanha, Maria Ana [segunda esposa do rei Carlos II e Rainha Consorte da Espanha] e de Maria Sofia de Neuburgo [futura rainha de Portugal, segunda esposa de D. Pedro II].
“O Sentimento da falta da Raïnha N. Senhora Dona Maria Francisca Isabel de Saboia penetrou taõ altamente o naõ menos piedoso que Real animo de Sua Majestade, que muito tempo naõ admittio a sua pena consolaçaõ, & menos os rogos que pouco depois lhe fiseraõ seus maiores Ministros, & mais zelosos do bem publico, para que moderando a dor de taõ grande perda, & pondo sò os olhos no bem de seus vassallos, como pae de todos elles lhe quisesse segurar com segundo matrimonio a sua Real successaõ. Mas como para se mitigar hum sentimento grande, sò o tempo he efficas remedio; foi preciso que passasse algum para que convalecida a rasaõ da pena, que a lastimava, abrisse mais livremente as portas ao discurso, & os ouvidos aos rogos, & continuando estes cada ves com maior instancia, & mais fervoroso zelo, ajudados de hum reverente, & affectuoso clamor dos fidelissimos corações dos pòvos; finalmente sacrificou Sua Majestade os seus afectos ao beneficio de seus vassallos, & commessou a dar attenção à pratica do novas vodas. A que ajudou muito a poderosa interposiçaõ da Santidade do Papa Innocencio XI. que movido do paternal affecto, com que especialmente ama a Sua Majestade entre os mais Principes Catholicos, como filho mais obediente, & mais zeloso da Igreja, exhortoiu ElRei nosso Senhor por hum Breve, em que affectuosa, & prudentemente persuadia a Sua Majestade, que depondo o seu sentimento contrahisse segundo matrimonio para segurança de sua Real descendencia, consolação de seus Vassallos, & soccego da Christandade.
“logo que Sua Magestade o permittiu, se lhe propuseraõ os casamentos de todas as Princesas de Europa, que pelo esclarecido do sangue, & pelo estimavel das virtudes se fasiaõ dignas deste Real consorcio [...]. Porèm aïnda que todas eraõ, naõ sò dignas, mas dignissimas deste Real thalamo; erão taõ superiores as prerogativas da soberana pessoa da Serenissima Senhora Princesa Eleitoral MARIA SOPHIA ISABEL, filha do Serenissimo Principe Philippe Guilhelmo, Eleitor Palatino do Rhim, que justamente a fiseraõ logo preferir na eleiçaõ de Sua Majestade a todas as mais Princesas; […]”.
Da Dedicatória ao Conde de Villar Maior, Fernão Telles da Silva, transcrevemos: Ponho nas mãos de Vossa Senhoria, esta fiel narração das prudentes, & generosas acções, que o Excellentissimo Senhor Marques de Alegrete obrou na Embaixada ao Serenissimo Principe Eleitor Palatino do Rhim, & conduçaõ da Augustissima Rainha Nossa Senhora a este Reino, expondo juntamente as festivas demonstrações, com que foi solemnisado, & applaudido o Real consorcio de Suas Majestades. E o ser esta materia por todas as rasões dignissima do aggrado de Vossa Senhoria, & da sua prudente attençaõ he o que me anima a hum obsequio tão diminuto, & inferior à minha grande obrigaçaõ. Porque neste breve mappa verà V. S. rude mas fielmente descriptos os melhores lances de prudencia, & generosidade, & os mais vivos exemplos da maior circunspeção, & desvelo com que Sua Excellencia soube satisfaser com superiores ventagẽs às obrigações do seu caracter, & da sua pessoa, engrandecendo naõ sòmente a reputaçaõ do seu Principe, & do nome Portugues, mas conseguindo em tão breve tempo com íncrivel cuidado, & zelo, o mais importante negocio desta Coroa. E se me fora licito, ou possivel expòr aqui as circunstancias individuaes de tantos acertos, & todas as considerações, & motivos, com que todos se obraraõ, & algumas cousas se ommitiraõ, nunqua a fortuna pertenderia arrogar se parte alguma da gloria desta acçaõ toda filha do zelo, & da prudencia. Porem assim como a uniforme regularidade do curso do Sol, & dos mais astros ainda sem conhecimento das suas causas nos persuade que saõ maravilhosas as que dirigem aquella harmonica composição de corpos celestes; da mesma sorte se deve entender sem toda a individual noticia dos acertos desta negociaçaõ que não podiaõ deixar de ser grandes os que conseguiraõ q̃ na brevidade de outo meses se fisesse hũa jornada de Portugal a Alemanha, se ajustasse hum Tratado Dotal entre tão Augustos Principes, se celebrassem cõ a maior põpa, & lusimento todas as solemnidades devidas, & costumadas em semelhantes acções, & fosse cõdusida a este Reino a Rainha Nossa Senhora em distancia de mais de quinhentas legoas de caminho terrestre, & maritimo, procurando-se para o transporte huma armada de hum Principe estranho, & distante. […]”
Composição tipográfica muito cuidada, executada com caracteres redondos e itálicos, decorada com letras capitais de fantasia, cabeções de enfeite e florões de remate em gravuras talhadas em madeira.
Além do texto em prosa tem ainda numerosas composições poéticas em latim, português e castelhano.

Bonita encadernação não contemporanea, com lombada de pele, finamente debruada com delicados ferros em casas-fechadas fundidos a ouro, nervuras e os respectivos dizeres.

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