GARCIA (Prudêncio Quintino).— DOCUMENTOS PARA AS BIOGRAFIAS DOS ARTISTAS DE COIMBRA, coligidos por... Com um prefácio do Dr. Vergílio Correia. Coimbra - 1923. In-8.º gr. de IX-[I]-361-[I] págs. B.
Valioso e importante trabalho de investigação, ainda hoje fonte indispensável para o estudo da História da Arte em Portugal. No final, servido de um índice organizado por Teixeira de Carvalho.
Diz Vergílio Correia no prefácio desta publicação que “Para a elaboração de uma honesta e proveitosa História de Arte portuguesa é necessário [...], possuir uma documentação abundante, sem a qual a relacionação dos monumentos ou das obras singulares, e a exposição da evolução estetica nacional dificilmente se poderão desenvencilhar da teia de fantasias, mais ou menos brilhantes, em que taes assuntos soem estar envolvidas.
“Impõe-se portanto a publicação de verdadeiros ‘Dicionários de Artistas’, no género dos que Sousa Viterbo elaborou, ou de colectâneas de documentos que, embora avulsamente, nos revelem dados certos, particularidades, vicissitudes das vidas de quantos na pedra, no metal, no barro ou na madeira, souberam perpetuar o movimento artistico do seu tempo.
“O Cónego Prudêncio Garcia foi, sob esse ponto de vista um percussor. Vinha possivelmente educado naquela escola de investigadores e artistas do meado do século XIX que tão notavelmente começou a trabalhar e que deixou numa obra estrangeira, ‘Les Arts en Portugal’ e no ‘Dictionnaire’, que completa esse livro, largamente demonstrada a sua proficiência e gosto.
“É tempo de fazer justiça a êsse grupo de homens que informaram Raczinski, e a êste autor. Os seus livros precederam as investigações, abriram o caminho que Sousa Viterbo trilhou, como as obras de Volkmar Machado, Taborda e Cardeal Saraiva tinham formado os informadores do Conde polaco.
“Mas após êsse ciclo de investigadores é o Cónego Prudêncio que reata a tradição, que, modestamente, no seu cantinho coimbrão prossegue numa obra de tenacidade e sacrificio, longe das Academias, sem o aplauso das Academias de Lisboa, que acolheram e homenagearam desde o começo o tambem ardente e sacrificado trabalhador que foi Sousa Viterbo. [...]
“NOs cartórios do Cabido, dos Conventos, da Mitra e da Universidade, o Cónegop Prudêncio recolheu na leitura das velhas escrituras numerosos nomes de artistas dos séculos XV e XVI, entre os quais se encontravam os desses misteriosos estrangeiros a Coimbra vindos a insuflar, ou executar os novos modelos que o Renascimento italiano atirara para a Europa. Al lado destes, os artistas nacionais, educados nas escolas tradicionais ou discípulos dos recemvindos, formão legião. Não os descurou o investigador, e sob a secura dos nomes e dos factos vemos surgir as oficinas, ordenar-se o trabalho, arraigar-se na terra lusa o novo canon artistico.
Exgotada a mina que os documentos dos séculos XV e XVI lhe haviam feito descobrir, o Cónego Prudêncio extendeu aos séculos seguintes as suas investigações. E assim, no mesmo livro, seguem-se aos documentos que nos falam dos lavrantes quinhentistas da pedra e madeira,— pedreiros e imaginários, — os que nos revelam os nomes e as artes dos azulejadores, pintores, ensambladores e axaroadores seiscentistas e setecentistas.
“Este conjunto documental, até agora o mais completo e amplo publicado acêrca das artes coimbrãs, servirá também, quero crê-lo, de ponto de partida para estudos especiais [...]”.
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