CARTA ABERTA DE UM PAI DE 16 FILHOS. O CONHECIDO JOAQUIM HENRIQUE DE CELORICO DE BASTO

HENRIQUE (Joaquim).— CARTA ABERTA DE UM PAI DE 16 FILHOS. O CONHECIDO JOAQUIM HENRIQUE DE CELORICO DE BASTO. Militar reformado da 1.ª companhia. A um dos seus filhos, 2.º sargento e 2.º enfermeiro naval da Armada Manoel Henrique Pinto. [...] [1904?] In-4.º de 23-I págs. B.

Invulgar e curiosa publicação de uma derradeira e sofrida carta [datada em Celorico de Basto a 14 de Setembro de 1904] de Joaquim Henrique dirigida a seu filho Manuel Henrique Pinto, “em serviço no Hospital da Marinha em Lisboa (hoje creio que em Loanda na Corveta «Affonso de Albuquerque»”.
De natureza biográfica e confessional, com referências a várias pessoas e lugares no âmbito do circulo familiar de Joaquim Henrique [Porto, Vila Nova de Gaia, Lisboa, Murça, Celorico de Basto, Trancoso, Vila Pouca de Aguiar, etc.]
“[...] Ignoro o principal motivo porque me tens aversão. Sim, ignoro todas as tuas ingratidões que desde que assentastes praça na Armada nunca me déstes verdadeiro gosto.Tanto é certo que, estando eu no anno de 1897 no mez do Natal com uma grave enfermidade, e mais tres dos teus irmãos que d’estes morreram dois, e tendo eu tido um mez de licença para gosar a terra, chegastes ao Porto á companhia de tua irmã Maria e occultastes a tua estada alli. Passastes lá todo o mez da licença e estando teu pai no estado em que esteve, doenças e mortorios de teus irmãos, e sendo ti informado d’isto pelo Augusto Affonso Ramos, que se achava no mesmo hotel onde tu pernoitavas, lhe pedistes que guardasse segredo da tua estada no mez de licença no Porto.
“Tu passeando nos americanos, de teu relogio, corrente e anneis de ouro, ora á paisana, ora á marinha etc., teu pai e irmãos no leito da dôr julgados á morte, pois que era preciso viral-o na cama, e tu, meu filho, d’esse mez não tiraste um dia ou dois para vires ver o auctor dos teus dias e mais a pobre familia!!! Mas... que crueldade? Gastavas quantias avultadas a dar presentes de valor de algumas libras á patrôa de tua irmã Maria, a tal senhora Amelia Guimarães, rua de Sá Noronha n.º 2, Porto, lá porque essa senhora casada, mas apartada de pessoa e bens de seu legitimo marido e... ainda que tua irmã e ella D. Amelia te metteram sizanias na cabeça etc., parece-me meu filho que o teu dever era pôr tudo de parte e vires visitar teu pai, muito principalmente n’uma occasião de enfermidades e na festa de Natal. [...]”

Exemplar manuscrito na contra capa com o nome do destinatário [Arnaldo Cardoso. Toiande].
Com manchas de humidade junto à costura.

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