AUTOBIOGRAFIA. 1652-1717

CASTELO BRANCO (Antonia Margarida de)

1984
Ref: 15323|20.00
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AUTOBIOGRAFIA. 1652-1717

CASTELO BRANCO (Antónia Margarida de).— AUTOBIOGRAFIA. 1652-1717. Prefácio e transcrição de João Palma-Ferreira. Imprensa Nacional - Casa da Moeda. [1984. In-8.º gr. de 529-VII págs. B.

“Entre 13 de Novembro de 1681 e os finais de 1703, no Convento da Madre de Deus de Xabregas, em Lisboa, uma religiosa, Soror Clara do Santíssimo Sacramento, que no século se chamou Antónia Margarida de Castelo Branco, por alguns nomeada Antónia Margarida de Albuquerque ou apenas Antónia de Albuquerque, escreveu e rescreveu a sua Autobiografias. [...]. Num século que foi dominado pelos excessos beatos de uma sociedade eminentemente freirática, são pelo menos insólitas as revelações de Antónia Margarida.
“É através das injúrias, das humilhações e das afrontas (que passam pelo assassinato de dois filhos gémeos, quadro inesquecível mau grado a lhana rusticidade da página que o descreve) que Deus se vai revelando, passo a passo, a uma mulher, que, apesar de maltratada por um homem sem qualidades e sem escrúpolos, não deixa de defender o seu esplêndido amor. Para a reclusa da Madre de Deus, a explicação tardia da sua obsessão amorosa é simples no quadro que o tempo lhe permite: foi Deus quem a fez sofrer para que melhor e mais perfeitamente se pudesse acolher a protecção da vida religiosa, a única onde, apesar de tudo, poderia encontrar mais do que a paz (que no mundo lhe está vedada) a possibilidade de a si própria se explicar e simultaneamente explicar e aceitar a fatalidade que a persegue.
“A Autobiografia assume, assim, as dimensões de uma interpretação profunda sobre a inserção da vida pessoal na esfera do divino, desvelando, para tanto, os meandros ainda pouco estudados dos processos de convívio e das relações sociais que são típicos do ambiente doméstico do nosso seiscentismo.
“Do que não há dúvida é que a Autobiografia, história não censurada de um matrimónio e das suas consequências, nos fornece preciosos elementos sobre o comportamento de uma sociedade tanto mais hipócrita quanto ao apreciar e elogiar os fumos de santidade de Antónia Margarida, copiando-lhe o texto da Autobiografia e divulgando-o como leitura de proveito e exemplos [...]”.
Publicado na «Biblioteca de Autores Portugueses».

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