
[BOTTO ANTÓNIO / CENSURA]. VALE (Leopoldo do).- APREENSÃO DO FONO-FILME GADO BRAVO. [Tipografia Oliveira. Lisboa. S. d. - 1934?] In-8º gr. 20 págs. B.
Contra-minuta de António Botto, no agravo n.º 1108 interposto para o Supremo Tribunal de Justiça.
“Os factos que determinaram a apreensão do fono-film «Gado Bravo». Foram:
1.º) — O agravado António Botto, aceitando uma proposta de António Lopes Ribeiro, na qualidade, que se intitulava ter, de representante da organização produtora de fono-films — BLOCO H. DA COSTA —, escreveu para o fono-film — «GADO BRAVO» —, determinadas composições poéticas.
2.º) — Em anuncios, em reclamos, em entrevitas, em artigo de jornais e de revistas, Antonio Botto era apresentado, pela 'organização produtora', como autor de todas as poesias do fono-film «GADO BRAVO».
3.º) — Nas proprias legendas deste fono-film,António Botto era apresentado como autor de todas as composições poéticas fonofilmadas. Ora, sucedeu que: 'sem consentimento ou simples conhecimento prévio' de António Botto, que nas legendas do fono-film, figurava, como se disse, como autor de 'todas' as composições poeticas:
a) fono-filmaram determinadas poesias da sua autoria 'substituindo-lhes' porém, 'versos e expressões' de uma forma prejudicial à sua reputação como poeta. [...]
“Quem souber que António Botto é «Poeta», e sabe-o logo quem lêr os seus livros e sentir o ritmo inconfundível da sua poesia pessolíssima, não se admira da reacção [...]”.
«Gado Bravo», realizado por António Lopes Ribeiro e Max Nosseck, considerado o terceiro filme sonoro português produzido em Portugal, teve no seu elenco, entre outros, a participação do actor Raul de Carvalho Soares.
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