
ALMEIDA (Nicolau Tolentino de).— Rimas // De // Nicoláo De Tolentino // E Almeida // Professor Regio de Rethorica, e // Poetica, nesta Cidade de Lisboa. // E ao prezente // Cavalleiro Profeço na Ordem de // Christo, e Offecial da Real Se= // cretaria dos Negocios do Reyno. // Anno De // 1794. [Dim. aprox. 14x20,5 cm.] de [II]-XIII-[I]-VIII-383-[I] págs. E.
Compilação de poesias e cartas manuscritas, contemporânea de Nicolau Tolentino de Almeida, poeta satírico português setecentista, cuja obra poética viria a ser impressa, ainda em vida do autor, em 1801 [Na Regia Officina Typografica]. Mais tarde, em 1828, foi publicada nova edição, póstuma, acrescentada de um terceiro volume.
Manuscrito de cuidada caligrafia, com notas e dedicatórias a propósito dos motivos de inspiração e dos personagens visados, precedido de um «Indice De todas as Obras, que contem este volume, asignadas alfabeticamente com as paginas, onde cada huma de per si vai escrita” [Sonetos, Odes, Satiras, Cartas, Memoriaes, Louvando o Estado de cazado, Romance, Quadras, Motes, Colxeas, Decimas, Cantigas, Endechas, Apendix a este índice: Sonetos.]. No cólofon: “Fim do Tomo 1.º”.
A propósito do autor diz Alexandre O’Neill no texto de apresentação [Uma Arte do Pormenor ou um Preambulo para Desatentos], das «Obras de Nicolau Tolentino de Almeida», publicado pelos Estúdio Cor em 1968: “Pode acontecer que o poeta se desacerte ao abotoar-se, diga «perdão!» quando é pisado por vocês, faça uma declaração de amor a um marco do correio, não saiba ganhar a [vossa] vida... Pode acontecer. Mas acautelai-vos: o poeta é um distraído terrívelmente atento. A sua distracção é pura economia. Apostado em caçar o essencial, o poeta resvala de olhos vagos pelo que já viu e reviu. Ele sabe que até morrer nunca mais terá tempo. Como quereis que perca o tempo que não tem — convosco? Ou melhor: com aquilo que, em vós. é mero ornato repetido até à náusea? [...]
“Eu não sei quem inventou a graça de que Nicolau Tolentino foi um crítico amável dos costumes do seu tempo, mas o certo é que a graça corre. Provàvelmente, achou esse inventor (que pode ser muita gente) que o Poeta, devia ter ido mais longe nas suas críticas ou adoptado, nelas, uma atitude mais frontal.
“Da amabilidade de Tolentino formamos, com certeza, conceitos diferentes, eu e o inventor da graça. Quanto ao dever ir mais longe, não sabemos que baliza o Poeta teria fixado para si mesmo, se é que fixou alguma — não é verdade? Apoucá-lo por atitudes menos frontais é ignorar o que significa ser um poeta faceto.
“E aqui chegamos ao ponto essencial destas notas para desatentos...
“Primeiro, avise-me quem for de avisar, que passados quase duzentos anos sobre o homem Tolentino, já é tempo de dar ao Poeta o pleno direito ás suas contradições... (Ninguém se lembraria, hoje, de afirmar, por exemplo, que François Villon foi um grande poeta mau grado a prosaica circunstância de ter sido salteador de estradas...).
“De «pedinchão» a fustigador «amável» dos costumes, Tolentino tudo aguenta. Deixem-no, pois, em paz — e leiam-no.
“... E leiam-no como deve ser lido: como consumado artista do pormenor concreto, que é assim que eu entendo Tolentino, o faceto. [...] Mas Nicolau tinha as suas subtilezas, os seus vieses. Foi assim que soube preservar, no meio das insignificâncias dum quotidiano sem relevo, uma visão implacável e irónica da sociedade do seu tempo. [...]”
Volume cuidadosamente caligrafado sobre papel ‘avergoado’ de escolhida qualidade, revestido de boa encadernação da época, de pele verde; com ferros dourados na lombada, rótulo e embutidos de pele vermelha.
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