
ANTÓNIO (Marco) Pseud.— ALMEIDA (António Correia Pinto de).— REPUBLICANIADAS. Lisboa. Editado por Jayme Marques. 1913. In-8.º gr. esguio de 96 págs. B.
‘Poema’ publicado sob pseudónimo de António Correia Pinto de Almeida, pela primeira vez impresso no periódico ‘Os Ridículos’ em 1912, sob o título “Parodias, sem pretensões aos «Lusiadas», do nosso fallecido collega e illustre thalassa, cidadão Luiz de Camões”.
Edição ilustrada com um retrato do autor e quatro pequenas gravuras de Almada Negreiros que servem de abertura a cada um dos IV cantos de que se compõe esta ‘Paródia’, cujo assunto ridiculariza acontecimentos politicos que resultaram da revolução de 5 de Outubro de 1910.
Aos criticos: "Agora que a poesia tende a tornar-se n’um género tão delgado, subtil e simples, que ás vezes mal se comprehende atravez da diaphaneidade da sua contextura, estas macissas oitavas à moda dos tempos do pai Adão devem ferir bem rudemente os delicadissimos tympanos modernos. [...].
“Apeteceu-me parodiar Camões, como me poderia ter dado para parodiar Guerra Junqueiro ou Afonso Lopes Vieira. E visto que todas as liberdades são agora moeda corrente n'este liberalissimo paiz, livre fica a critica de me zurzir á vontadinha […].”
Aos politicos: “Aqui se dá a cada um conforme a sua precisão: menos aos monarchicos - que é cobardia malhar em quem está por baixo -, mais aos republicanos, que bem precisam para vêr se entram no bom caminho.
“Todos os que tem a sua politicasinha (e quem ha que não a tenha?) ficarão contentes, e nenhum ficará satisfeito.
“Rirão ás escancaras quando fôr ridicularizado o adversário; e chamar-me-ão estúpido, quando lhes tocar pela porta, sem já se lembrarem do que gosaram á custa dos inimigos. [...]”.
Ao público: “Uma só explicação, para satisfazer e livrar d’escrupulos os mais delicados de alma e coração: Ha no Canto III d’esta obra um episódio parodiado do ‘Adamastor’, em que figura Canalejas. Haverá por certo quem julgue descabido e de máu gosto troçar d’um homem ainda ha pouco morto e de maneira bem trágica e repugnante [Miguel Bombarda].
“A esses direi que o episódio já estava composto quando o facto se deu e que o não suprimi por dois motivos: por não me ser facil substitui-lo por outro, e porque a tróça é benévola e inofensiva. [...]”.
No final com um curioso «Diccionário Mythológico dos vocabulos insertos no Poêma», com entradas para Abel Botelho, Afonso Costa, Afonso Gaio, Arriaga, Bernardino, Bismarck, Braamcamp, Brito Camacho, Carbonário, Castellar, D. Manuel, D. Miguel, Duarte Leite, Egas Moniz, Ferreira do Amaral, Freitas Ribeiro, França Borges, Grandela, Homem Christo, João Franco, Junqueiro, Magalhães Lima, Machado Santos, Nunes da Matta, Nunes da Ponte, Padua Correia, Sidónio, Teixeira de Sousa, Theofilo Braga, Thomaz Ribeiro, Tolentino, Vasconcellos e Sá, etc.
Capa da brochura ilustrada por Almada Negreiros.
Com dedicatória do autor, assinada António Correia Pinto de Almeida (Marco António).
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