GANDRA (João Nogueira).— ODE AO GRANDIOSO OBJECTO COM QUE NO DIA 18 DE JUNHO DE 1808, VIMOS RESTAURAR PELOS PORTUENSES O VERDADEIRO ESFORÇO, E LIBERDADE DO NOME PORTUGUEZ. Coimbra, // Na Real Imprensa da Universidade. 1808. In-8.º de 8 págs. Desenc.
Inocêncio regista outros escritos do autor, ignorando este poema onde se canta a vaga de insurreição popular contra o domínio francês na cidade do Porto, insurreição que rapidamente se alastrou a todo o país. Em marginália — de apoio à melhor compreensão do poema — podem ler-se interessantes pormenores sucedidos durante a revolta: “Era tal o enthusismo do Povo, que chegou de noite até ‘Grijó’, por se dizer que ahi ficara o inimigo. Todos mostravão o desejo que tinhão de ver os seus dignos ‘Protectores’. [...]. “Sabemos que naquelle dia, e nos tres seguintes das luminarias esteve o tempo mais bello, que produz a Primavera. E até para confirmação do milagre da Restauração (Autenticada por tal) não se ouvio por largos dias, nem tocar a defunto, nem ao Sacramento fôra. [...]. “A Religião profanada tomou novo calo, por zêlo do Excellentissimo e Reverendissimo Bispo do Porto ‘D. Antonio de S. José e Castro’, Presidente do Tribunal do Supremo Governo [...]”. O Autor, nascido na cidade do Porto, foi Bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto, redactor principal do periódico «Borboleta Constitucional», colaborador da «Chronica Constitucional», do «Artilheiro» e de outros jornais. Entre outras distinções foi condecorado com a Medalha n.º 2 da Campanha Peninsular.