ARAGÃO (António) [1921-2008].— METANEMAS. [S. l.]. 1981. 23 ff. [dim. aprox. 23x28 cm.]
“António Aragão, poeta de ofício múltiplo e um dos principais nomes da Poesia Experimental Portuguesa (PO.EX), nasceu a 22 de setembro de 1921, na freguesia de São Vicente, na Ilha da Madeira. Desde cedo, reconheceu na Europa não apenas um veículo para a descoberta de novos conhecimentos, mas também um espaço que lhe permitiria exercer a liberdade que não podia alcançar num Portugal sufocado pelo contexto ditatorial do Estado Novo: “E depois esse convívio lá, em liberdade, essa maneira de exprimir-me agora em… pela palavra foi para mim salutar. Foi para mim bom. (…) Onde eu vivia já nem se falava em fascismo, em Itália” (Aragão 1994: 27min34seg).
“Já em Metanemas, publicado em 1981, Aragão apresenta uma crítica acérrima à violência e superficialidade que caracterizam a sociedade pós-moderna. Tal como refere Catarina Figueiredo Cardoso [FIGUEIREDO, Catarina (2015), “«“ler” o poema é simplesmente dobrar e desdobrar» (...). Artist’s books by António Aragão”, Cibertextualidades, nº 7, Porto, Edições Universidade Fernando Pessoa], trata-se de uma obra que não estabelece conexões claras com o contexto político português, propondo-se, na verdade, como uma reflexão em torno dos valores que regem a era globalizada. Assim, servindo-se de recortes retirados de revistas internacionais, Aragão promove uma “fusão visual de imagem e palavra” (Aragão 1985: 186), colocando o leitor perante o retrato de um mundo no qual o consumismo e o medo se reificam: Efetivamente, o constante questionamento dos poderes instituídos apresenta-se como um vetor da escrita de António Aragão. (...)”. [’in’ CARDOSO, Inês (2018), “António Aragão”, in A Europa face a Europa: poetas escrevem a Europa. ISBN 978-989-99999-1-6.]
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