INFERNO

[CASTELO BRANCO (Camilo) (Trad.)] — CALLET (Augusto)

1871
Ref: 32012|35.00
Sem imagem

[CASTELO BRANCO (Camilo) (Trad.)] — CALLET (Augusto).- O INFERNO. Trasladado para Portuguez e precedido de uma advertencia por Camillo Castello Branco. Porto. Typographia da Livraria Nacional. 1871. In-8.º de XVI-233-I págs. E.

Segundo se lê no «Dicionário de Camilo Castelo Branco», de Alexandre Cabral, Pierre Auguste Callet foi excomungado da Igreja por ter publicado, em 1861 a obra «L' Enfer», nesta edição vertida para português por Camilo Castelo Branco. Ainda segundo Alexandre Cabal "a punição foi tão eficaz que o seu nome [A. Callet] foi riscado de todas as enciclopédias e manuais da literatura francesa que consultámos (e não foram poucos). Encontrámos registo de sua produção no 'Catalogue Générale des Libres Imprimés de la Bibliothèque Nationale', existente na nossa Biblioteca Nacional.".
De págs. V a XI decorre o também polémico prefácio de Camilo, intitulado «Advertencia do Traductor»: “ [...] N’este memoravel anno de 1871, o sacerdocio militante da christandade lusitana subiu aos baluartes mais desamparados, aos pulpitos de grande parte do reino, e desembestou certeiras fréchadas ao rosto da impiedade.
“No pulpito da egreja de S. Martinho de Cedofeita, d’esta cidade do Porto, — que não é a mais pecadora, porque é a menos ociosa, - discorreu apostolicamente um padre italiano, que eu não ouvi.
“Não fui ouvil-o, porque já tenho muitissimos annos e bastante leitura para conhecer que direitos tem Deus e o proximo ao meu amor.
“Não o fui ouvir pela mesma razão que evito alguns livros prohibidos, receoso de que elles estremeçam os alicerces da minha fé.
“Não fui ouvil-o, emfim, porque ha um sermão que eu sei de cór, quando tenho sêde de fé, ancias de misericordia, tibiezas de esperança: é o sermão da montanha, prêgado aos pobres por nosso Senhor Jesus Christo. [...]. O auctor, comquanto excommungado, usou a christã bem-querença de prevenir-me de que a sua obra estava condemnada. Decidi logo que o livro não seria de todo mau. E, depois que o li, reflexionei que os cardeaes seriam mais discretos esquivando-se a dar voga a escriptos que andariam menos procurados sem a chancella da prohibição.
“A mim me quer parecer que o ‘Inferno’ de Callet sahiria com fôros de orthodoxo da assembleia dos primitivos christãos, quero dizer, dos seguidores de jesus Christo anteriores áquella pestilencial sciencia chamada Theologia: tal é a pureza, luz, amor e christianissimo espirito que ungem as paginas d’este consolativo livro. [...]”.
Primeira edição.

Encadernação da época, cansada. Com falta das capas da brochura e com uma assinatura no anterrosto.

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