PALMEIRIM (Frederico de Rohan).— O DUQUE DE LOULÉ E O BISPO DE VIZEU OU AS VELHAS E AS NOVAS ASPIRAÇÕES DE PORTUGAL. Coimbra. Imprensa Litteraria.1869. In-8.º de 32 págs. Desenc.
Invulgar opúsculo com interesse para a história das hostis lutas travadas entre conservadores e progressistas durante o período do ‘rotativismo’, em que o autor, a favor de D. António Alves Martins [Bispo de Viseu], visa contundentemente o Duque de Loulé. “Que é o Duque de Loulé? É o filho do famigerado Marquez de Loulé, é o herdeiro do fidalgo traidor, que depois de gozar da maior intimidade e favores da côrte de D. João VI, cahiu emfim assassinado n’um corredor do Paço de SAlvaterra, n’uma libertina noite em que ali se representava uma comedia, que findou por uma tragedia, na qual foi victima o velho Marquez, em compensação dos seus ‘gloriosos’ feitos [...]. Que ideia representa o Duque de Loulé? Querem saber que ideia elle representa? — É o passado em lucta com o porvir; é o symbolo das trevas, abafando as luzes; é a verga do despotismo ameaçando a liberdade; é o privilegio arrogante oppondo-se á torrente modesta da democracia; é a consagração encarnada das superstições e poeirentos prejuizos da velha aristocracia, oppondo-se a realeza popular; é a hupocrisia — odiando a franqueza; é a astucia surprehendendo a boa fé; é o capricho zombando da razão [...]. Porque é que o Duque de Loulé subiu ao poder em opposição ao Bispo de Vizeu? A razãp é obvia. — É que o Bispo de Vizeu, symbolisava o fituro, a ideia nova, a luz, a liberdade, o triumpho da democracia, a razão, a ordem, a justiça, a moralidade e a economia. [...]”.