DISCURSO FEITO NA ABERTURA DA ACADEMIA DE DESENHO E PINTURA NA CIDADE DO PORTO

VIEIRA JUNIOR (Francisco)

1803
Ref: 33099|250.00
DISCURSO FEITO NA ABERTURA DA ACADEMIA DE DESENHO E PINTURA NA CIDADE DO PORTO

[VIEIRA PORTUENSE]. VIEIRA JÚNIOR (Francisco).— DISCURSO FEITO NA ABERTURA DA ACADEMIA DE DESENHO, E PINTURA NA CIDADE DO PORTO por… Primeiro Pintor da Camara, e Corte, e Lente da mesma Academia. Lisboa. M.DCCC.III. Na Regia Officina Typografica. In-4.º de 11-I págs. B.

Raríssimo discurso do célebre pintor Vieira Portuense, a respeito do qual escreveu Inocêncio: “Ao meu amigo e constante favorecedor do ‘Diccionario’, o sr. Francisco Pereira de Almeida, devo o exemplar que possuo d’este opusculo, do qual não resta no Porto conhecimento ou memoria de especie alguma, segundo me communicou em tempo o sobredito Alvares Ribeiro.”
Maria José Goulão, num artigo publicado na revista «O Boletim» da ‘Associção de Estudantes da Escola Superior de Belas Artes do Porto’ recorda: “No que diz respeito à criação de um ensino artístico organizado, de carácter regular e sistemático, o Porto foi o pioneiro a nível nacional.
“Com efeito, em 27 de Novembro de 1779, um decreto da rainha D. Maria autoriza a criação de uma ‘Aula Pública de Debuxo e Desenho’ nesta cidade [do Porto], inspeccionada pela Junta de Administração da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, nomeando António Fernandes Jácomo, que aprendera em Roma, para seu director […].
“Um edital de 1780 fixa o início das aulas para o dia 17 de Fevereiro do mesmo ano, e sedia estas no Seminário dos Meninos Orfãos do Porto (Colégio da Graça) […].
“Afastado António Fernandes Jácomo, em 1880, a vaga de Lente da Aula de Debuxo é ocupada por Francisco Vieira (Vieira Portuense) […]. Por essa altura as aulas passam a funcionar no Hospício dos Religiosos de Santo António da Província da Soledade, situado na Lameda da cidade do Porto […], sendo incorporadas mais tarde na Academia Real de Marinha e Comércio, criada em 1803, e que agrupava agora num só edificio as já existentes Aulas de Desenho e Náutica, e as recém-criadas Aulas Públicas de Matemática, Comércio e Línguas […]. Para esta nova Academia, construiu-se uma sede, com planos de Costa e Silva e Carlos Amarante, iniciados em 1803, e que é hoje um dos edifícios da Universidade do Porto. […].
“O discurso proferido por Vieira Portuense, por ocasião da abertura solene da Aula de Desenho, a 14 de Junho de 1802, marca de certa forma uma viragem significativa na avaliação da função artística e na determinação dos princípios orientadores desta actividade. Aí, Vieira, chama ‘Academia’ à Aula de Desenho, procurando dignificá-la, e afirma que o “Desenho, a Pintura, são huma das mais solidas e nutritivas bases de muitas bellas idéas. Dellas depende a apuração do bom gosto, resulta a perfeição das fábricas, e Manufacturas; por ellas vimos no conhecimento do genio dos Antigos; pulem-se as maneiras, e costumes de huma Nação, tomando hum ar de elegancia, quea distingue dos Povos menos adiantados nesta sublimes artes. […]. Neste discurso, Francisco Vieira estabelece que a perfeição da Pintura está intimamente ligada com o estudo de muitas Artes […], colocando-a na dependência estreita de uma sólida cultura enciclopedista […]”.

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