DEZ CARTAS AUTOGRAFAS DIRIGIDAS A SERAFIM FERREIRA

SILVA (Jose Marmelo e)

1970
Ref: 40163|500.00
DEZ CARTAS AUTOGRAFAS DIRIGIDAS A SERAFIM FERREIRA

SILVA (José Marmelo e).— [DEZ CARTAS AUTÓGRAFAS]. Datadas de Espinho, entre 9 de Fevereiro de 1970 e 10 de Junho de 1971. Dim. 22 x 17 cm.

Cartas inteiramente manuscritas pelo punho do autor de «Sedução» em folhas de papel timbrado com o seu nome. Dirigidas a Serafim Ferreira afloram diversos temas, de que vamos deixar alguns apontamentos: Eu tinha grande interesse em que o meu Amigo me esclarecesse se era bem fundamentada aquela informação que me deu pessoalmente: de estar O Sonho e a Av.rª [título sublinhado de um dos seus livros: «O Sonho e a Aventura»] praticamente esgotado. Penso arrumar em breve a m/ situação na Ulisseia, mas preciso dum ponto de partida seguro; Recebi hoje as Perspectivas 70 (título sublinhado). Pelo que me respeita, parece que a Censura cravou ali os dentes. Vá lá entender isto! não se poder dizer numa página literária o mesmo que já se disse na TV!; Entro nestas pequenas férias, deito a cabeça de fora e respiro, como quem sai dum subterrâneo. E procuro os amigos; A Quixote [sublinhado] prometeu-me verbalmente, nos 1ºs de Setembro, a publicação dos m/ escritos, a começar por um original em Abril. Ao fim de 4 meses, vem agora dizer-me que lhe é totalmente impossível. Nem uma justificação, nem um ligeiro remorso pela quebra do acordo verbal. Nada. Indiferença, despudor, canalhice... - em resumo. Estou, portanto, sem editor e não sei se vale a pena aparecer, sòzinho, diante doutros portões de ferro. Conseguirei outra coisa mais do que fazer ladrar os cães?; Ampliei a Anquilose [sublinhado] e era por esta publicação que eu desejaria recomeçar. Quero dizer: separei-a de O Ser e o Ter [título sublinhado], uma vez que ela só por si me garante agora um volume de 200 pág. (aprox.) Vejo-a como um pobre homem que possui uma filha casadoira. E quem lhe quere? Só essa vergonha [sublinhado] que eu tenho de afrontar. Sem saber como. E não sei como porque tudo isto me repugna. Porque este sistema editorial é prepotente e estúpido. Só uma época triste como a nossa pode tolerá-lo, que digo?, pode até favorecê-lo. Estou convencido de que a cultura será sempre uma embusteirice enquanto as mercearias [sublinhado] editoriais a (des)governarem; anuncia que o livro «Anquilose», ampliado, vai ser lançado pela Ulisseia, acompanhado da crítica até então publicada, incluindo a do destinatário; (...) as que não acompanham Anquilose [sublinhado] virão com O Ser e o Ter [sublinhado]. Para já: Gaspar Simões, Óscar Lopes, Serafim Ferreira, Sousa Lobo e José Saramago; Sobre os seus livros recentemente publicados: (...) Mas o silêncio de A Capital - Teresa Horta - que ainda não disse uma única palavra - e agora chego a duvidar da iniciativa [sublinhado] da entrevista Viale Moutinho - que raio!, terá ela recebido o livro?; O Namora está ultrapassado. Aquela do Nobel esmaga-o! Recomende-lhe Coramina.

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