CONDE DE ABRANHOS / CATASTROFE

QUEIRÓS (Eça de).— O CONDE D´ABRANHOS. Notas biograficas por Z. Zagalo e A CATASTROPHE. 1963. Lello & Irmão — Editores. Porto. In-8.º de 239-[I] págs. B

A propósito do ‘romance biográfico’ «O Conde de Abranhos», diz A. Campos Matos no «Dicionário de Eça de Queiroz»: “Original e acerada farsa política onde Eça faz o impiedoso retrato de uma figura paradigmática do Constitucionalismo, através da pena do seu secretário Z. Zagalo, que lhe redige as memórias. Este secretário, mais imbecil ainda do que o amo que serve, julgando fazer o elogio do estadista dá-nos, pelo contrário, a total dimensão de um político ávido de Poder, videiro, trapaceiro, enfatuado e oco. Segundo a descrição que Eça faz ao seu editor Chardron, trata-se de «uma biografia, a biografia dum indivíduo imaginário, escrita por um sujeito imaginário. O Conde de Abranhos —: um estadista, orador, ministro, presidente do Conselho, etc. — que sob esta aparência grandiosa é um patife, um pedante, um burro. O fim do livro pois é — além duma crítica dos nossos costumes políticos — a exposição de pequenas estupidezes, maroteirinhas, e pequices que se ocultam sob um homem que um país inteiro proclama ‘grande’. O Zagalo, secretário, é tão tolo como o Ministro; e o ‘piquant’ do livro é que querendo fazer a apologia do seu amo e protector, o idiota Zagalo apresenta-nos, na sua crua realidade, a nulidade do personagem. (...) [’in’ «Dicionário de Eça de Queiroz. Organização e Coordenação de A. Campos Matos]. Com um retrato do autor por António Carneiro, impresso em separado e o fac-símile de uma carta do romancista ao seu editor Ernesto Chardron, de apresentação e resumo do seu novo escrito.

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