CAMARA OPTICA ONDE AS VISTAS AS AVESSAS MOSTRAO O MUNDO AS DIREITAS

COSTA (Jose Daniel Rodrigues da)

1824
Ref: 14803|150.00
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CAMARA OPTICA ONDE AS VISTAS AS AVESSAS MOSTRAO O MUNDO AS DIREITAS

COSTA (José Daniel Rodrigues da).— ‘CAMARA OPTICA,’ // ONDE AS VISTAS ÁS AVESSAS // MOSTRÃO O MUNDO A’S DIREITAS. // [...] // LISBOA: 1824. // ===== // NA OFFICINA DE J. F. M. DE CAMPOS. ‘Com Licença.’. 12 folhetos In-4.º peq. E. num só volume.

Colecção completa de uma das muito curiosas, populares e invulgares publicações periódicas de José Daniel Rodrigues da Costa, Leiriense natural de Colmeias que subscreveu um sem número de publicações seriadas e folhetos a propósito dos mais diversos acontecimentos ocorridos no seu tempo, sendo hoje bastante invulgares os exemplares dessas publicações.
No «Prólogo» desta publicação contesta o autor as muitas publicações que no seu tempo vieram à luz da imprensa que de alguma forma imitaram as suas próprias produções: “Ha nisto de composições de Petas huma certa confusão, que me obriga a desenvolver os enganos, e equivocações, que girão nesta materia, só para que nem eu me figure usurpador do merecimebto alheio, nem os outros campem á sombra da boa fé, que o respeitavel Público me tem concedido. He verdade que desde que me callei com o ‘Hospital do Mundo’, que conclui, tem sahido outras obras periodicas, que querem representar o meu estilo; e ainda que me não pertence analysar a sua bondade, ou apontar os seus defeitos, por não ir á aposta com os mais authores, como costumão fazer os rapazes da escóla, com tudo não devo soffrer, que se me imputem obras, que não faço; e para de huma vez dissipar esta preocupação, fique o benigno Público desde já na certeza de que obra, que não leve o meu nome, não he minha. Nunca me ageitei a entrar no rol dos ‘Anonymos’, porque se a obra sahio feliz, não he desar ter o nome do Author, e se sahio informe, tenho valor, e animo para soffrer a sangue frio a crítica merecida.
“Senhores, quando me callei foi para dar tempo a que sahissem outros Genios com as suas obras; pois sabia de certo, que alguns estavão de má fé comigo, parecendo-lhes já que eu fallava tanto, que não os deixava fallar a elles. Então lhes cedi os annos de 1806 e 1897, para que neste espaço de tempo podessem dar á luz os felices partos do seu entendimento. E na verdade sahiram grandes cousas, humas que logo se acabárão, outras que não tiverão fim; e eu posto á capa sem dizer palavrinha.
“Forte epidemia de Folhetos appareceo no mundo depois da minha Collecção das Petas! Ora estes Senhores Escriptores do parlamento baixo, como eu que lho digo, não se desenganaráõ do desprezo, que merecem todos aquelles, que se fazem plagiarios? Em certo modo os que me pertendem imitar dão forças ao meu desvanecimento, porque me trazem á memoria que Virgilio imitou a Homero, Camões a Virgilio, e Cicero a Demosthenes; e quem mostra desejos de imitarme, nisso mesmo me concede algum merecimento. [...]”.
Na primeira página de cada um dos folhetos com uma curiosa xilogravura em forma de um losango que representa uma câmara ótica com seu operador e vários espectadores em volta.

Encadernação contemporânea de pele inteira, com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada.

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