As velhas crónicas dos Descobrimentos Portugueses foram ontem vedetas no primeiro dia da importante venda de livros da Casa Soares e Mendonã em Lisboa, aqui ao pé do «D. L.» na Rua Luz Soriano. Foi João de Barros, foi Diogo Couto e também o velho Zurara: as «Décadas» da Asia, primeira edição completa (Barros e Couto) valeram uns bem puxados treze contos; a «Crónica do descobrimento e conquista da Guiné» em primeira edição, ficou pelos seis mil escudos apesar de a obra de Zurara incluir um belo retrato litográfico do infante D. Henrique. Também a edição original de três livros de Geografia e Descobrimentos de Gaspar Barreiros (edição original, citada elogiosamente por D. Francisco Manuel de Melo) vendeu bem: 20 mil escudos., desdobrados em dois lotes. A poesia da época não desmereceu do valor (monetário) das edições dos cronistas e uma «raríssima edição original» das «Éclogas», de Diogo Bernardes, foi arrematada por 16 contos. Só Camões não conseguiu reunir entre a vasta participação de público admiradores com dinheiro e vontade de chamarem suas às estrofes de «Os Lusíadas» impressas à antiga nas tipografias quinhentistas. Uma parte da edição valeu 14 000 escudos e foi optada pela Biblioteca Nacional; a primeira edição italiana quedou-se, modestamente, pelos 4100 e a inglesa atingiu, ainda, os nove mil. O leilão continua hoje e amanhã dirigido por Albertino Ferreira (na gravura).
“Décadas da Ásia” por 13 contos (1.ª edição)

