 {"id":263130,"date":"2000-11-08T11:31:00","date_gmt":"2000-11-08T11:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/livros-de-corpo-e-alma\/"},"modified":"2025-10-23T11:31:12","modified_gmt":"2025-10-23T11:31:12","slug":"livros-de-corpo-e-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/livros-de-corpo-e-alma\/","title":{"rendered":"Livros de corpo e alma"},"content":{"rendered":"<p><strong>A eleg\u00e2ncia e aprumo do espa\u00e7o p\u00fablico da Livraria Manuel Ferreira, no n.\u00ba 21 da Rua Formosa, contrastam com a \u201cdesorganiza\u00e7\u00e3o organizada\u201d do seu armaz\u00e9m. Mas em ambos os locais, paira no ar o mesmo ambiente de paz e tranquilidade, resultante de uma profunda sensibilidade e respeito pelo livro. \u201cLivros cerrados n\u00e3o fazem letrados\u201d \u00e9 o lema desta casa fundada h\u00e1 41 anos. Mas a sua hist\u00f3ria recua muito mais no tempo, como nos contou Manuel Ferreira, abrindo um pouco o livro da sua pr\u00f3pria vida.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLivros cerrados n\u00e3o fazem letrados\u201d, lemos no ex-libris de Manuel Ferreira, desenhado por Jos\u00e9 Rodrigues. Dificilmente se encontraria uma express\u00e3o mais adequeada a este alfarrabista. Possuindo apenas a quarta classe como habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, \u00e9 portador de uma s\u00f3lida cultura e forma\u00e7\u00e3o humanista, que transparece naturalmente no contacto pessoal, fruto da sua \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com os livros, companheiros ideais e insepar\u00e1veis de toda uma vida.  <\/p>\n<p>\u201cFalo tanto com os vivos e com os mortos que est\u00e3o dentro dos livros, que muitas vezes at\u00e9 j\u00e1 sinto alguma incapacidade para falar com os vivos fora dos livros\u2026 \u00c9 claro que estou sempre dispon\u00edvel para quem me aparece, mas prefiro estar no meu gabinete com os livros, eu e eles, em absoluta solid\u00e3o\u201d, confessa o alfarrabista.<\/p>\n<p>Todavia, no local de trabalho, onde fomos ao seu encontro, Manuel Ferreira revela-se um \u00f3ptimo conversador, de tal forma que nem damos pelo passar das horas.<\/p>\n<p><strong>AVENTURAS<\/strong><\/p>\n<p>A conversa recuou \u00e0 \u00e9poca em que Manuel Ferreira, com apenas 11 ou 12 anos, tinha j\u00e1 a paix\u00e3o da leitura. Lia, ent\u00e3o, os livros de aventuras pr\u00f3prios da sua idade. Aos poucos, o tempo das aventuras foi passando \u00e0 hist\u00f3ria, dando lugar a novas exig\u00eancias culturais. Come\u00e7ava uma aventura maior: a de ser livreiro.   <\/p>\n<p>\u201cNasci de uma fam\u00edlia muito pobre que n\u00e3o me podia comprar livros. Por isso, desde crian\u00e7a, eu adquiria-os, usados, na Livraria Acad\u00e9mica, na altura do seu antigo propriet\u00e1rio, o Sr. Guedes da Silva. Comprava-os e, depois de lidos, vendia-os, na casa de m\u00f3veis antigos que o meu pai tinha, na Travessa de Cedofeita. Eu aproveitava a montra da loja para expor os livros e vend\u00ea-los. Sempre gostei de aprender e de estudar. E aos poucos, n\u00e3o era s\u00f3 a leitura que me interessava, mas o conhecimento do livro em geral, sob o ponto de vista tipogr\u00e1fico, bibliogr\u00e1fico, art\u00edstico, etc. Interessei-me pelos muitos encantos que o livro encerra. Foi esse o embri\u00e3o da minha vida de livreiro\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, face aos conhecimentos e contactos estabelecidos, foi convidado para ser s\u00f3cio de um projecto no ramo livreiro, o que recusou. Continuou a trabalhar com o pai, na loja de m\u00f3veis, onde comprava e vendia livros, at\u00e9 que, quando contava 28 anos de idade\u2026 \u201cO meu pai \u2013 sabendo que a minha paix\u00e3o era os livros e n\u00e3o os m\u00f3veis, e aproveitando uma das raras ocasi\u00f5es em que eu estive doente de cama, encontrando-me em convalescen\u00e7a \u2013 apareceu-me com um taxi \u00e0 porta de casa, e disse-me: \u201canda comigo ver um s\u00edtio para tu te estabeleceres. E l\u00e1 fomos ao n\u00ba 19 (hoje 21, por se alterou a posi\u00e7\u00e3o da porta com a montra) da Rua Formosa. Meu pai for\u00e7ou-me a ficar com a livraria. For\u00e7ou-me no bom sentido, porque ele sabia que isso ia ao encontro do meu gosto mais verdadeiro.    <\/p>\n<p>Nascia assim, em 1959, a Livraria Manuel Ferreira. Uma casa formosa, a fazer jus ao nome da rua, que tem dedicado uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos e boletins bibliogr\u00e1ficos. Paralelamente, vem organizando leil\u00f5es de importantes bibliotecas particulares (entre as quais, as que pertenceram a Kol de Alvarenga, ao camilianista \u00c1vila Perez, Salema Gar\u00e7\u00e3o, Alfredo Lucas, Reynaldo dos Santos, Francisco Ferr\u00e3o de Castello Branco, Henrique Botelho e muitas mais), sendo que, nessa actividade, se apresenta como \u201ca \u00fanica existente na cidade do Porto\u201d.  <\/p>\n<p>Profundamente sensibilizado para a import\u00e2ncia hist\u00f3rica e cultural de tudo o que \u00e9 documento escrito, Manuel Ferreira recusa, em casos especiais, a venda de certas raridades a particulares, ainda que em detrimento dos seus interesses comerciais. Foi o que aconteceu com um valioso acervo documental dos s\u00e9culos XIV, XV, XVI, que a livraria optou por transaccionar com a C\u00e2mara Municipal do Porto, e que hoje faz parte do Arquivo Municipal, encontrando-se j\u00e1 totalmente informatizado para consulta p\u00fablica. <\/p>\n<p>\u201cQuando esse esp\u00f3lio me veio parar \u00e0s m\u00e3os, pressenti que era muito importante. Em casa, analis\u00e1mos os pergaminhos e verific\u00e1mos que tinham uma unidade muito grande. Haviam pertencido a um homem com muita influ\u00eancia, que exerceu cargos de grande prest\u00edgio e responsabilidade \u2013 Jo\u00e3o Martins Ferreira, que viria a ser o primeiro nobre a permanecer no Porto. Esses documentos cont\u00eam dados important\u00edssimos para o conhecimento da hist\u00f3ria da cidade. Por isso, recusei-me a vender a colec\u00e7\u00e3o a um particular, apesar de ter tido \u00f3ptimas propostas, muito vantajosas\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 com natural orgulho que Manuel Ferreira fala desta colec\u00e7\u00e3o que, agora, nas m\u00e3os dos estudiosos, far\u00e1 incidir uma nova luz sobre o passado da urbe portuense.<\/p>\n<p>Quanto ao passado da livraria, esse, cruza-se com o da pr\u00f3pria cidade. Fundada antes do 25 de Abril, a casa n\u00e3o escapou \u00e0 desconfian\u00e7a do regime fascista, tanto mais que a sede da Pide se situava ali perto, na Rua do Hero\u00edsmo, e que os livros proibidos eram muito procurados pelos clientes da livraria. Mas Manuel Ferreira, que nunca se interessou activamente pela pol\u00edtica, conseguiu com subtileza, uma forma e contornar os olhares cens\u00f3rios: \u201cEu vendia livros que estavam indexados e fui muitas vezes vigiado pelos agentes da PIDE. Se porventura eles descobriam na livraria algum livro proibido, eu entregava-lhes a obra e desculpava-me, dizendo que ela estava ali por estar, por ignorar o seu conte\u00fado. Cheguei a aproveitar-me da circunst\u00e2ncia para lhes pedir uma rela\u00e7\u00e3o de todas as obras proibidas. Eles deram-me e isso servia-me exactamente para vender livros censurados, sem os expor e sem correr o risco de suspeitarem de mim. Posso n\u00e3o ter sido inteiramente leal com eles, mas eles tamb\u00e9m n\u00e3o eram leais comigo, portanto, estamos pagos\u2026\u201d  <\/p>\n<p>Por\u00e9m, certa vez, o caso foi mais complicado. \u201cTemi ser preso, por causa de um leil\u00e3o, em que vendi o livro \u201cPortugal Oprimido\u201d do capit\u00e3o Queiroga, que vivia no Brasil e que era um grande opositor ao regime. Limitei-me a descrever o livro, com a maior descri\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, sem qualquer esp\u00e9cie de coment\u00e1rio, mas na assist\u00eancia estava algu\u00e9m que escrevia num jornal afecto ao governo, que me denunciou, alegando que o livro tinha sido vendido com os sorrisos c\u00famplices do organizador \/ vendedor. A not\u00edcia veio no jornal e ent\u00e3o a pol\u00edcia foi \u00e0 ag\u00eancia dos leil\u00f5es perguntar por mim. Receei que me prendessem \u2013 nesse tempo n\u00e3o era preciso muito para ser preso\u201d.    <\/p>\n<p>A pessoa que comprou o livro, \u201cum m\u00e9dico que ainda \u00e9 vivo, esse sim, manifestamente da oposi\u00e7\u00e3o\u201d, foi obrigada a entregar a obra aos agentes da pol\u00edcia. Mas n\u00e3o sem lhes dizer primeiro: \u201cPodem tirar-me o livro que eu, dentro de poucos dias, j\u00e1 o tenho outra vez, porque mando vir um exemplar do bRASIL\u201d. <\/p>\n<p>Fruto proibido \u00e9 o mais apetecido, diz o ditado. Talvez por isso, naquela \u00e9poca, as livrarias eram muito frequentadas e os livros censurados os mais procurados. Manuel Ferreira concorda com a opini\u00e3o, aparentemente paradoxal, de que a actual crise na leitura se deve, em grande parte, ao facto de n\u00e3o haver obras proibidas\u2026 \u201cA aus\u00eancia de repress\u00e3o estiolou, castrou o criativo dos autores que tinham que escrever com muita subtileza para dizerem o que queriam. E o p\u00fablico estava preparado para perceber a mensagem subtil dos livros, sabia l\u00ea-los nas entrelinhas\u201d, comenta.  <\/p>\n<p><strong>TEMPOS DIF\u00cdCEIS<\/strong><\/p>\n<p>Com o 25 de Abril de 74, come\u00e7ou um novo per\u00edodo na hist\u00f3ria da livraria. Um per\u00edodo \u201cmuito cr\u00edtico com a mudan\u00e7a de regime, pois ningu\u00e9m sabia que rumo o pa\u00eds ia tomar\u201d. Manuel Ferreira recorda que os pr\u00f3prios clientes deixaram de comprar livros, porque se adquirissem uma obra cara, poderiam suscitar a ira anti-capitalista. \u201cGrandes bibliotecas foram vendidas nesse per\u00edodo e outras foram inteirinhas para o estrangeiro, de modo a evitar que fossem tomadas ou que a sua venda fosse inviabilizada. O mesmo aconteceu com colec\u00e7\u00f5es de arte. Houve grande fuga de valores para fora do pa\u00eds; uns voltaram mais tarde, outros n\u00e3o\u201d.   <\/p>\n<p>Nessa altura, Manuel Ferreira chegou a ponderar a hip\u00f3tese de ir para o Brasil. Mas preferiu ficar, mesmo correndo riscos. \u201cFiquei e n\u00e3o me arrependi disso. Dirigi as minhas disponibilidades financeiras \u2013 poucas, porque um livreiro pode ter muitos livros, mas tem sempre pouco dinheiro \u2013 no sentido de comprar as bibliotecas e, entretanto, as coisas equilibraram-se politicamente, os compradores voltaram, nasceram novos clientes e a minha vida pode continuar sem grandes sobressaltos\u201d. Actualmente, a frequ\u00eancia de p\u00fablico vai sendo cada vez menor. O tempo em que os bibli\u00f3filos faziam da livraria um espa\u00e7o de tert\u00falia, onde se conversava sobre livros e outros assuntos, \u00e9 perten\u00e7a do passado.    <\/p>\n<p>\u201cA vida complicou-se, h\u00e1 cada vez menos tempo livre para visitar livrarias e surgiram outros aliciantes, como a televis\u00e3o e os v\u00eddeos que vieram ocupar as horas antes destinadas \u00e0 leitura\u201d, diz Manuel Ferreira, no seu modo tolerante de justificar o mundo actual.<\/p>\n<p>Para compensar a diminui\u00e7\u00e3o de visitantes, a livraria optou pela organiza\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos, sua grande fonte de vendas, e sempre que poss\u00edvel marca presen\u00e7a em feiras do sector, como foi o caso da Expo-Livro, organizada em Outubro passado, pelas livrarias Latina, Leitura e Lello.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma iniciativa muito importante e espero que tenha continuidade em anos futuros. Nas feiras do livro realizadas no Pavilh\u00e3o Rosa Mota, as livrarias s\u00e3o quase sempre postas de parte, para estarem presentes apenas os editores e compradores. Ora, o elo ideal e natural da liga\u00e7\u00e3o entre editor e comprador, \u00e9 o livreiro. Nesse aspecto, h\u00e1 uma concorr\u00eancia desleal e uma subalterniza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do livreiro\u201d.<\/p>\n<p>Manuel Ferreira n\u00e3o esconde alguma apreens\u00e3o quanto ao futuro das livrarias, face ao surgimento de grandes cadeias comerciais, como a Fnac agora a funcionar em pleno centro da cidade. \u201cA livraria \u00e9 um espa\u00e7o \u00fanico, onde o comprador tem o direito de dialogar e de se informar junto de algu\u00e9m que lhe sabe falar de livros e o pode ajudar a comprar. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil fazer frente ao grande capital. No Porto, h\u00e1 livrarias bel\u00edssimas, como a Lello \u2013 que, al\u00e9m da sua beleza, tem um passado editorial formid\u00e1vel -, a Latina, local de encontro precioso na hist\u00f3ria cultural do porto, e a leitura, onde Fernando Fernandes, um Senhor com todas as letras em mai\u00fasculas, que sabe profundamente de livros, fez muito por esta terra. Se podermos fazer alguma coisa para que esses espa\u00e7os n\u00e3o se percam, ser\u00e1 um grande bem para a cidade\u201d. <\/p>\n<p><strong>PORTO 2001<\/strong><\/p>\n<p>O Porto surge ami\u00fade ao longo da conversa, reflectindo a dedica\u00e7\u00e3o, o interesse e a ternura de Manuel Ferreira pela sua cidade, Capital Europeia da Cultura em 2001. Ir\u00e1 esta lembrar, de alguma forma, os alfarrabistas da cidade? N\u00e3o, respondeu. \u201cTenho muita pena, mas n\u00e3o fui contactado para nada relacionado com o Porto 2001. Penso que poderia ser feita uma feira de alfarrabistas, onde apresent\u00e1ssemos o que tiv\u00e9ssemos de melhor. Era uma maneira de dizer que o Porto est\u00e1 vivo no que respeita ao livro antigo. Pela nossa parte, tencionamos, em 2001, publicar um cat\u00e1logo de livros sobre o Porto\u201d.   <\/p>\n<p>Manuel Ferreira prefere falar de livros e leituras, a falar de si mesmo, \u201cfugindo\u201d delicadamente de algumas perguntas sobre a sua pessoa. Foi, pois, atrav\u00e9s da consulta de um cat\u00e1logo da Feira Internacional do Livro Antigo, promovida h\u00e1 seis anos, no Porto, pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Livreiros Alfarrabistas, que soubemos que, em 1992, Manuel Ferreira recebeu o t\u00edtulo de Comendador. E, pela leitura de um texto de J\u00falio Couto, inserto no mesmo cat\u00e1logo, fic\u00e1mos, tamb\u00e9m, a saber, qual a opini\u00e3o que tem sobre si quem bem o conhece: \u201cA sua lhaneza de tacto, a seriedade sempre posta nos seus neg\u00f3cios, a maneira af\u00e1vel de conviver com quem lhe entra portas adentro, foi-lhe aumentando o n\u00famero de clientes e amigos, entre os quais se contou Jos\u00e9 R\u00e9gio, Alberto Uva e Alberto Serpa, de quem foi o organizador de ambos os valiosos esp\u00f3lios (\u2026)\u201d.  <\/p>\n<p>Trata-se, sem d\u00favida, de um livreiro que honra o nome de Al-Farabi (fil\u00f3sofo \u00e1rabe, do s\u00e9culo X, que se notabilizou como comentador de Arist\u00f3teles), do qual deriva a palavra Alfarrabista.<\/p>\n<p>Passeando entre os milhares de volumes existentes no local de trabalho de Manuel Ferreira, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de estar a caminhar por um espa\u00e7o sagrado que inspira respeito e devo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o surpreenda que seja ali, entre os livros, que o distinto guardi\u00e3o desse templo de saber quer passar o resto dos seus dias. <\/p>\n<p>\u201cAprendi tudo com eles. Gostaria de morrer a trabalhar com os livros; de n\u00e3o ter tempo para estar vivo sem eles\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A eleg\u00e2ncia e aprumo do espa\u00e7o p\u00fablico da Livraria Manuel Ferreira, no n.\u00ba 21 da Rua Formosa, contrastam com a \u201cdesorganiza\u00e7\u00e3o organizada\u201d do seu armaz\u00e9m&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":192986,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-263130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}