{"id":263129,"date":"2025-10-23T11:31:12","date_gmt":"2025-10-23T11:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/procurar-no-alfarrabio-a-preciosidade-e-a-cultura\/"},"modified":"2025-10-23T11:31:12","modified_gmt":"2025-10-23T11:31:12","slug":"procurar-no-alfarrabio-a-preciosidade-e-a-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/procurar-no-alfarrabio-a-preciosidade-e-a-cultura\/","title":{"rendered":"Procurar no alfarr\u00e1bio a preciosidade e a cultura"},"content":{"rendered":"<p>Raridades bibliogr\u00e1ficas, livros simplesmente lesados, de todas as esp\u00e9cies e tamanhos, abarcando, do volume erudito \u00e0 hist\u00f3ria em quadradinhos, at\u00e9 \u00e0 vulgaridade da fotonovela, de tudo um pouco, para o gosto diversificado de uma clientela bem diferenciada, \u00e9 poss\u00edvel encontrar no esp\u00f3lio, apetecido por muitos, de um bom alfarrabista.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que \u00e9 um alfarrabista, como surgiu essa actividade, quem o procura, que bastidores dinamizam a profiss\u00e3o, suas perspectivas actuais, que tesouros esconde?<\/p>\n<p>Um mundo aliciante, cujo v\u00e9u tentamos levantar, ao de leve, embora, conversando com alguns dos poucos livreiros que, estabelecidos no Porto, servem e negoceiam com, tamb\u00e9m, tamb\u00e9m, meio mundo de interessados.<\/p>\n<p>Alguns aspectos fundamentais da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de alfarrabista, apontam, principalmente, considerando o p\u00fablico, para duas ordens de factores: proporcionar livros a pre\u00e7os inferiores aos do seu custo normal nas livrarias e possibilitar a aquisi\u00e7\u00e3o de volumes j\u00e1 esgotados no mercado, servindo coleccionadores, interessados em raridades ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es, pedidos de opini\u00e3o, leil\u00f5es, busca de investimentos (aquisi\u00e7\u00e3o de livros, tendo em vista que, dentro de certo per\u00edodo, o pre\u00e7o aumentar\u00e1, compensando o tempo de capitaliza\u00e7\u00e3o) procura da raridade valiosa, reconstitui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural, fun\u00e7\u00e3o de acultura\u00e7\u00e3o, entretenimento, muito pode envolver a actividade de alfarrabista.<\/p>\n<p><strong>TODOS OS G\u00c9NEROS<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 36 anos a lidar com livros, cerca de 40 cat\u00e1logos elaborados por si para leil\u00f5es da especialidade e nove outros cat\u00e1logos de livros esgotados apresentados para venda pr\u00f3pria, o Sr. Manuel Ferreira falou-nos da sua experi\u00eancia como alfarrabista.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, esta actividade, que sofreu um decr\u00e9scimo logo ap\u00f3s o 25 de Abril, devido \u00e0 altera\u00e7\u00e3o profunda da vida portuguesa e correspondente instabilidade de perspectivas, regista, actualmente, uma maior procura de livros em geral, mesmo em rela\u00e7\u00e3o a \u00e9pocas anteriores. Muita gente nova, segundo nos afirmou, tenta fazer as colec\u00e7\u00f5es, mesmo no campo das primeiras edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o se pense no entanto, que todos os coleccionadores de edi\u00e7\u00f5es raras ou esgotadas s\u00e3o pessoas ricas\u00bb, acrescentou; \u00abpois, muito pelo contr\u00e1rio, grande parte deles n\u00e3o vive num mar-de-rosas, t\u00eam dificuldades e privam-se de muita coisa por amor aos livros, desde o cigarro ao fato no fio\u00bb.<\/p>\n<p>Com poucos estudos oficiais, o nosso interlocutor, que aprendeu com os seus livros tudo o que sabe, contou-nos um lamir\u00e9 da sua hist\u00f3ria. Garoto, gostava de ler aquilo que h\u00e1 h\u00e1bito nessas idades. Sem dinheiro, comprava livros usados. Querendo mais livros, punha os j\u00e1 lidos \u00e0 venda no estabelecimento de m\u00f3veis, tamb\u00e9m usados, que o pai possu\u00eda no Porto. \u00abPresumo que devo ter ganho dinheiro nalgum livro e isso me tenha estimulado\u2026Hoje sinto-me perfeitamente feliz no meio dos livros.<\/p>\n<p>No seu estabelecimento apareceu todo o tipo de obras, desde um valioso volume, recentemente adquirido (um trabalho sobre Portugal, de Viviane, com gravuras, no valor aproximado de 100 contos), at\u00e9 \u00e0s historinhas em banda desenhada.<\/p>\n<p>\u00abPode aparecer um mi\u00fado, que queira apenas livros aos quadradinhos\u00bb, mas a quem pode acontecer como a mim\u00bb explicou, sorrindo, antes de referir que acredita na fun\u00e7\u00e3o de preservar os valores culturais que podem desaparecer, se n\u00e3o houver um agente que procure encaminh\u00e1-los para o p\u00fablico interessado, estudioso\u2026<\/p>\n<p>Um problema que se levanta, naturalmente, a prop\u00f3sito dos valores culturais raros que neste campo possam existir \u00e9 o de saber se tais preciosidades dever\u00e3o ser usufru\u00eddas por todo o p\u00fablico que as queira consultar e apreciar, ou se \u00e9 l\u00edcito permitir a sua aproxima\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>Que as bibliotecas, museus e outros servi\u00e7os p\u00fablicos devem ser o mais completos poss\u00edvel, parece n\u00e3o oferecer d\u00favidas para a grande maioria das pessoas.<\/p>\n<p>Resumindo as opini\u00f5es recolhidas junto de alfarrabistas sobre o assunto, foi-nos declarado, por um lado, que a apropria\u00e7\u00e3o de volumes deve ser feita em concorr\u00eancia com as entidades privadas e n\u00e3o por expropria\u00e7\u00e3o do poder: por outro, \u00e9, obviamente, indispens\u00e1vel, para o efeito, o interesse e possibilidades materiais das entidades p\u00fablicas competentes, o que nem sempre se verifica.<\/p>\n<p>Como nos referiu um outro conhecido alfarrabista do Porto, o Sr. Nuno Canavez, depois do 25 de Abril, bibliotecas de universidades e algumas c\u00e2maras municipais come\u00e7aram a procurar obras liter\u00e1rias valiosas, para enriquecimento cultural do meio onde se inseriam, o mesmo n\u00e3o se podendo afirmar, todavia, das entidades fundamentais neste sector, o que facilita, j\u00e1 se v\u00ea, a \u00abfuga\u00bb de valores culturais para o estrangeiro, sempre poss\u00edvel, atendendo \u00e0s maiores possibilidades econ\u00f3micas.<\/p>\n<p>Afirmou-nos, no entanto, que o aparecimento de uma raridade por tuta-e-meia, como anteriormente acontecia, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, hoje em dia, vulgar.<\/p>\n<p><strong>O ANTIGO E O BOM<\/strong><\/p>\n<p>\u00abAparecem, por exemplo, pessoas que julgam que o antigo \u00e9 sin\u00f3nimo de bom, o que, \u00e9 evidente, muitas vezes n\u00e3o acontece\u00bb, declarou.<\/p>\n<p>Existem, por exemplo, autores modernos, como um Torga ou um R\u00e9gio, cujas primeiras edi\u00e7\u00f5es de determinadas obras atingiram pre\u00e7os alt\u00edssimos, que cl\u00e1ssicos de nomeada como um Padre Ant\u00f3nio Vieira, Padre Manuel Bernardes, Diogo Bernardes, Alexandre Herculano ou um Junqueiro (extremamente esquecido) nunca alcan\u00e7aram.<\/p>\n<p>Isto, por diversos motivos, desde a celebridade atingida, no momento, \u00e0 limita\u00e7\u00e3o da tiragem. \u00abMuitas vezes, os primeiros livros de alguns autores, depois de celeb\u00e9rrimos, n\u00e3o foram bem aceites, tornaram-se desactualizados, foram destru\u00eddos pelos pr\u00f3prios autores, especificou, acrescentando que o facto em si de autodestrui\u00e7\u00e3o de obras lhe parece critic\u00e1vel, na sua ess\u00eancia. O que se realiza em determinada altura, em fun\u00e7\u00f5es da \u00e9poca e das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, por muitas repercuss\u00f5es que possa desenvolver, mesmo quando de novo confrontada, posteriormente, constitui sempre um documento importante, de que n\u00e3o se deveria privar os vindouros, obrigados, por sua vez, a conscienciosamente, apreciarem os valores em fun\u00e7\u00e3o da \u00e9poca da sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Novos interesses e ideias afundam e reerguem, em cada tempo, afamados e esquecidos de outras \u00e9pocas e do momento.<\/p>\n<p>Nuno Canavez continuou: \u00abAutores c\u00e9lebres da actualidade n\u00e3o ir\u00e3o perdurar por muito tempo, enquanto, por exemplo, E\u00e7a de Queir\u00f3s e Camilo continuam a ser muito procurados. Camilo, por exemplo, que pretendeu estudar a pr\u00f3pria t\u00e9cnica do romance e a sua linguagem espl\u00eandida, e, por outro lado, pelo popular, que encontra, nas suas obras, um entrecho muito pr\u00f3ximo da mentalidade portuguesa\u00bb.<\/p>\n<p>Garrett, Antero de Quental, Sampaio Bruno voltam a ser procurados, n\u00e3o obstante, h\u00e1 30 anos, terem sido relegados para segundo plano. Naquele alfarrabista, tomamos contacto com algumas raridades, umas \u00e1 venda, outras sem pre\u00e7o, constituindo valores seus, de que n\u00e3o quer desfazer-se.<\/p>\n<p>Uma \u00abHist\u00f3ria Geral da Ethiopia\u00bb, do Padre Balthasar Telles, (1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o de 1660), no valor de 35 contos; \u00abOrlando Furioso\u00bb, de Ludovico Ariosto (de 1549 ilustrada com gravuras de uma nitidez not\u00e1vel), no valor de 50 contos; um livro sobre direito romano (C\u00f3digo de Justiniano, de 1536), com a particularidade de cada uma das suas centenas de p\u00e1ginas ter uma composi\u00e7\u00e3o diferente (Sem pre\u00e7o); uma primeira edi\u00e7\u00e3o comentada de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb, por Manuel Correia (de1613), avaliada em 70 contos; um \u00e1lbum de manuscritos, pertencente a um m\u00e9dico, com mensagens e composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de Sousa de Passos, Te\u00f3filo Braga, Castilho, Antero de Quental, J\u00falio Dinis (quinze anos), Latino Coelho, Bulh\u00e3o Pato, Alexandre Herculano e outros, alguns deles, provavelmente, m\u00e9dicos (sem pre\u00e7o); um livro de poesia de Theofilo Folengo (\u00abOpus Macaromicorum\u00bb), segundo o Manuel de Brunet, exemplar extremamente raro, de 1521, especialmente pelo facto de se encontrar intacto, sem mutila\u00e7\u00e3o das notas marginais e possuindo, igualmente, um caderno, que faltam na maioria dos exemplares existentes, tamb\u00e9m de cota\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel.<\/p>\n<p>Hoje, a aquisi\u00e7\u00e3o de obras pelos alfarrabistas tem origem, geralmente, em leil\u00f5es e bibliotecas particulares, sendo muito pouco frequente o aparecimento de algu\u00e9m que pede, sem saber, uma ridicularia por preciosidade bibliogr\u00e1fica. Contou-nos, ainda, Nuno Canavez, que por um exemplar do \u00abS\u00f3\u00bb (1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o), lhe foi pedido, a t\u00edtulo de exemplo, 500$00; o livro foi comprado pelo alfarrabista por 5 000$; hoje vale qualquer coisa como 25 contos.<\/p>\n<p>\u201cDeveria haver mesmo, disse a finalizar, uma escola de prepara\u00e7\u00e3o profissional para alfarrabistas e livreiros em geral, habilitando-os a corresponder, cabalmente, \u00e0 fun\u00e7\u00e3o cultural que podem assumir, pelas suas pr\u00f3prias atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O GOSTO E A PERIP\u00c9CIA<\/strong><\/p>\n<p>Um outro alfarrabista, o Sr. Amadeu Marinho, preferiu narrar-nos algumas hist\u00f3rias da profiss\u00e3o, mais relacionadas com a parte espiritual da actividade do que com a sua fun\u00e7\u00e3o estritamente comercial.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase 50 anos na profiss\u00e3o, o Sr. Marinho disse-nos que conhece logo quem ama o pr\u00f3prio livro pela simples forma como o manuseia. Pegar no livro pela \u201ccabe\u00e7a\u201d folheando-o cuidadosamente, atesta o esmero e carinho do coleccionador.<\/p>\n<p>Depois, foi o desfile de tipos bem caracterizados, dos \u201chabitu\u00e9s\u201d do alfarr\u00e1bio aos conversadores brilhantes que entret\u00eam e enriquecem a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Falou-nos do poeta Amadeu Santos, j\u00e1 de cabelos brancos e ainda de capa e batina, com a paix\u00e3o dos livros. Um dia, ocasionalmente, o poeta apareceu indeciso entre deitar meias solas aos sapatos e encadernar os \u201cPoemas Lusitanos\u201d de Ant\u00f3nio Ferreira. E Cristiano de Carvalho, trajando de negro, com bengala e la\u00e7o \u00e0 \u201cLa Valli\u00e8re\u201d, conversando e encantando. O poeta e diplomata brasileiro Rui Ribeiro Couto, um dos mais minuciosos amadores de livros, que os procurava um a um, de estante em estante, sentado num banquinho.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que aparecem com um ficheiro dos livros ou assuntos que n\u00e3o possuem, os indiv\u00edduos que ao domingo, geralmente antes do almo\u00e7o, fazem a sua \u201cvia sacra\u201d pelas montras das livrarias, os que aguardam, ansiosamente, a reforma para poderem \u201cfalar\u201d intimamente com os livros acumulados anteriormente e que nunca tiveram tempo de ler; o bibli\u00f3mano que nunca chega a ler os volumes que acumulou anos e anos; e aquele mi\u00fado que chega ao estabelecimento, pede um livro, l\u00ea-o, alheio a tudo o que possa acontecer, at\u00e9 chegar a hora do almo\u00e7o, que reconhece apenas pelo \u201crel\u00f3gio\u201d que tem na barriga e que, pelos vistos, trabalha certinho.<\/p>\n<p>\u201cO livro de quadradinhos, apesar de criticado, pode ser um elo imediato entre a crian\u00e7a e a leitura, estimulando-a com a cor, despertando outras actividades, pelo pr\u00f3prio desenho, cultivando, atrav\u00e9s das ideias que se podem colocar e ensinar atrav\u00e9s de cada quadradinho\u201d, disse-nos tamb\u00e9m o Sr. Marinho, pouco antes de aparecer, no seu estabelecimento, o jovem Fernando Carlos, de 17 anos, empregado de mesa da ind\u00fastria hoteleira, que \u00eda comprar livros aos quadradinhos que lera em crian\u00e7a e agora tenta recuperar em colec\u00e7\u00e3o. Atualmente, o jovem l\u00ea livros de hist\u00f3ria, com gosto por leituras mais maduras.<\/p>\n<p>Enfim, um mundo de excita\u00e7\u00f5es, de reflexos, um ve\u00edculo de cultura, que aqui apenas se procura aflorar. Nas entrelinhas e para al\u00e9m delas, muitas outras ideias e problemas ligadas por um sentimento comum e imprescind\u00edvel que os nossos tempos n\u00e3o podem ultrapassar; a necessidade de ler e criar h\u00e1bitos de cultura, de acordo com as possibilidades e capacidades de cada um, na constru\u00e7\u00e3o do Homem e no crescimento das na\u00e7\u00f5es. Apesar de tudo\u2026<\/p>\n<p>Texto de J\u00falio Santos Fotos de Bruno Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raridades bibliogr\u00e1ficas, livros simplesmente lesados, de todas as esp\u00e9cies e tamanhos, abarcando, do volume erudito \u00e0 hist\u00f3ria em quadradinhos, at\u00e9 \u00e0 vulgaridade da fotonovela, de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-263129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263129\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/livrariaferreira.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}